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Mais de 50 FACADAS: A história da PRENDA de Alegrete que morreu aos poucos antes do fim BRUTAL

Do bairro Tancredo Neves para o luto de toda querência: como Alegrete falhou com a guria que cresceu pedindo socorro pelas ruas da fronteira





O último chimarrão da madrugada

Buenas, vivente! De vez em quando, um causo sacode nosso pago como vendaval de agosto, gelando a alma mais do que minuano brabo. Foi assim com a história da Eduarda Carvalho dos Santos, uma prenda de 21 anos que foi arrancada deste mundo com mais de 50 facadas – sendo 17 delas no rosto. Barbaridade, tchê! A arma? Uma simples faca de mesa, dessas que usamos pra cortar o pão de cada dia, transformada em instrumento de uma maldade mais funda que açude em tempo de cheia. No bairro Tancredo Neves, o dia 31 de julho amanheceu mais triste que domingueira sem churrasco quando o cunhado encontrou o corpo da guria na cama, numa cena que deixaria até o mais campeiro dos homens com os olhos marejados.

De guria a mulher marcada: o caminho sem volta

A gurizada de Alegrete conhecia bem a Eduarda – aquela das caixinhas de doces e pedidos de ajuda nas ruas, sempre de olhar baixo e corpo marcado como rês em tempo de marcação. Mas bah, tchê! A história dessa prenda começou a se desmanchar muito antes da madrugada fatal. Aos 12 anos, mais nova que potranca de primeira cria, já tinha iniciado um relacionamento com o que seria seu algoz. Aos 14, barriga crescendo de um filho, foi tocada de casa pelo pai como cusco que não se quer mais no pátio. A mãe, coitada, perdida nas névoas da esquizofrenia lá pras bandas de Rosário do Sul, conhecida como ‘Maria do Totó Bola’, não pôde amparar a filha. Foi parar na casa da sogra, dormindo com o inimigo. Teve três filhos que, como passarinhos nascidos em ninho frágil, foram levados para longe pela proteção do Estado. Nenhum adulto tinha sustância pra criar os pequenos. Tentava se virar vendendo gominhas, trotando entre Alegrete e cidades vizinhas, com as marcas da vida mais visíveis que fronteira em tempo de guerra.

O último grito no silêncio da fronteira

Toda a cidade via, tchê! Via e fazia vista grossa, mais cega que tatu em meio-dia. A guria aparecia machucada, com marcas mais claras que rastro de bicho em campo limpo. Chegou a fazer ocorrência contra o companheiro, que certa feita lhe acertou uma facada no pescoço – mais cruel que traição em tempo de parceria. Pediu medidas protetivas, mas voltou pro homem depois – uns dizem que por amor, outros por medo, mas quem conhece os tremedais da vida sabe: voltou porque era o único que lhe oferecia um teto, mesmo que debaixo dele houvesse um inferno diário. Na madrugada do fim, Eduarda ainda brigou pela vida. As marcas nos braços mostram que lutou como égua xucra em laço de domador, mas estava mais sozinha que boiadeiro perdido em noite sem lua. Enquanto isso, o suspeito sumiu feito orvalho em dia de sol, deixando apenas o rastro da barbárie para trás.

Em nosso Alegrete, terra de bravos e peleadores, Eduarda morreu muitas vezes antes das 50 facadas. Morreu quando, ainda guria, foi lançada à vida sem amparo. Morreu quando, com marcas visíveis, caminhava pedindo ajuda pelas calçadas da cidade sem que ningúem estendesse a mão além da moeda. Como disse a psicóloga Thaís Campos, presidente do COMDICA: não podemos julgar quem não teve opção de escolha. Eduarda foi abandonada por todos nós – pela família, pelos vizinhos, pela cidade, pelo Estado. Que seu sacrifício extreme nos ensine que a violência contra a mulher não começa na facada, mas no abandono que parece inofensivo e vai crescendo como enchente em tempo de chuva forte.

Compartilha esse causo com aquele vivente que ainda acha que violência contra a mulher é ‘problema particular do casal’! Quem se cala diante da tragédia é cúmplice dela, tchê!

Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/mais-de-50-facadas-o-assassinato-de-eduarda-foi-de-uma-perversidade-inominavel/


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