Do lápis para o coração dos baguais
Buenas, vivente! Aqui vem um causo que vai te deixar com o peito cheio de orgulho dos guris da nossa terra. Desde os 12 janeiros que a Lívia Marques Kostulski, uma prenda de Alegrete mais apaixonada por bichos que tropeiro por um bom churrasco, vem riscando papel com seus desenhos. E não é que a guria, com nada mais que um lápis simples e uns papéis, já montou um livro inteirinho de animais para colorir? O talento dessa jovem é como vertente d’água em terra seca – nasce natural e vai se aprimorando conforme rega o sonho.
De olho no horizonte, com o mate da esperança na mão
O sonho desta alegretense de 20 janeiros é campear por aí como Médica Veterinária, mas com as dificuldades de pagar uma faculdade – que custa mais que um aparte de campo na fronteira – a guria não baixou a cabeça. Mais teimosa que burro empacado, a Lívia tentou pelo ENEM e agora está no segundo semestre de Biologia lá no IFFar, firme como estaca de galpão. O brilho nos olhos dela não mente quando conta que, depois de formada, quer trabalhar no resgate da nossa fauna, cuidando dos passarinhos e de toda bicharada que faz parte da riqueza deste Brasil varzeano.
O galpão dos sonhos se constrói com trabalho
Mas tchê, a vida não tá fácil pra ninguém! Desde fevereiro deste ano, com o apoio da mãe – parceira mais firme que esteio de galpão – a Lívia começou a vender lanches pra juntar os cobres da passagem até o campus do IFFar lá no Passo Novo. Com a mesma dedicação que o campeiro prepara o arado, ela anda pela Câmara de Vereadores e pelas empresas do centro oferecendo seus quitutes. E quando o sol já vai se bandeiando pro outro lado, a guria senta e desenha os bichos que são a inspiração da sua vida. Depois, mais ligeira que vento minuano, se arruma pras aulas da noite. É uma lida diária que nem a de peão em tempo de marcação!
Neste rincão de Alegrete, histórias como a da Lívia nos mostram que os sonhos têm o mesmo valor que a coragem de quem os persegue. Enquanto muitos ficam apenas na prosa, essa guria mostra na lida diária o que é ter fibra gaúcha de verdade. É dessas mãos, que hoje servem lanches e desenham animais, que pode surgir o futuro da preservação da nossa fauna. Em tempos onde tudo parece difícil, ela nos lembra que, como diz o ditado campeiro, ‘não há campo tão duro que um bom ginete não amanse’.
Compartilha essa história com aquele amigo que reclama das dificuldades mas não arregaça as mangas! Se a gurizada souber dessa garra toda, vai pensar duas vezes antes de desistir dos sonhos!









