Do sofrimento nasceu um dom campeiro
Buenas, vivente! Lá pelos pagos de Alegrete tem surgido um talento mais brilhante que estrela em noite de geada. O guri Entonny Fontinelli Paim, hoje com 14 janeiros, começou a dedilhar a gaita quando tinha apenas 9 anos, numa história que mistura dor e arte como quem mistura erva e água quente no mate. Foi em 2020, quando a pandemia já castigava nossos campos, que a mãe do guri, Elidieli, então com 33 anos, recebeu a notícia mais amarga que o fel: um diagnóstico de câncer raro. E foi aí que o vô do Entonny, homem da terra, desses que conhecem o segredo das coisas simples, teve uma ideia mais luminosa que lampião em noite escura: colocar uma gaita nas mãos do neto para ajudar o pequeno a enfrentar aquela tormenta.
A gaita que virou escudo e espada
Mas bah, tchê! O que era pra ser apenas uma distração virou dom verdadeiro! Em pouquinho tempo, aquele guri tava manejando a cordeona com a mesma destreza que peão campeiro laça novilho em rodeio. O professor Beto Vilaverde, que mais que mestre virou parceiro de tropeada, enxergou no jovem gaiteiro um talento mais especial que cavalo crioulo premiado. Na caminhada musical, Entonny trocou a gaita de oito baixos por uma pampeana de 60 baixos em 2024, um passo mais importante que troca de bombacha em dia de festa. ‘Sinto na alma a emoção em tocar e isso vem mudando a minha vida’, conta o guri com a tranquilidade de quem já nasceu velho de sabedoria. Mas a peleia do menino não parou na gaita, não senhor! Como bom guerreiro gaúcho, ele se aventurou também no canto na escola Voz e Melodia, e de modo autodidata, aprendeu a fazer o violão chorar, mostrando que tem talento mais largo que o pampa.
Da dor do pai amado, nasceu uma nova vida
Enquanto a mãe travava sua batalha contra a doença mais teimosa que cusco atrás de carreta, Entonny transformava dor em música, preocupação em arte. Com o apoio firme dos pais, Elidieli e Rodrigo, o gaiteiro já colocou nos arreios alguns troféus da Campereada, Rodeio dos Oswaldo Aranha e Festival em São Francisco de Assis. A fama do guri já correu mais rápido que boato em dia de feira – recentemente tocou para o empresário Otélio Drebs, que esteve em Alegrete, e foi chamado de ‘prata da casa’, título que brilha mais que fivela de cinto em baile de CTG. Há duas semanas, o jovem artista aumentou sua tropa de talentos ingressando na Escola Ibaldo, provando que tem sede de aprender maior que tropeiro em dia de travessia. ‘Além de gostar é preciso ter foco, pois aprender qualquer coisa na vida exige concentração e vontade’, filosofa o guri, com a sabedoria de quem já viveu várias lidas.
Por estas bandas de Alegrete, onde o vento minuano molda o caráter e a vida ensina desde cedo a enfrentar tormentas, Entonny segue sua trilha com a determinação dos verdadeiros campeadores. Enquanto suas mãos fazem a gaita pampeana cantar, ele nos ensina que das maiores dores podem nascer os mais belos dons. Na batalha contra o câncer da mãe, encontrou na música não só um refúgio, mas uma vocação que agora encanta toda nossa querência. Como ele mesmo diz: ‘a arte musical é algo que transforma vidas e enriquece almas’ – e o guri Entonny já é prova viva dessa verdade em nosso pago alegretense.
Compartilha esse causo com aquele compadre que acha que a gurizada de hoje não valoriza nossas tradições! E pra quem quiser acompanhar mais desse talento da nossa terra: @entonnyoficial








