Uma roda de chimarrão que salva vidas
Mas bah, tchê! Setembro chegou pintando de amarelo os quatro cantos da nossa querência, trazendo aquele assunto que muita gente ainda trata como gato rodeando chaleira quente: a prevenção ao suicídio. Foi nesse clima que os guris e prendas da melhor idade do Programa Maturidade Ativa do Sesc Alegrete se reuniram, mais animados que cavalo em dia de campo. A gurizada dos 50+ recebeu a doutora Vanessa Nunes Panziera, uma médica mais gabaritada que laço de campeiro veterano – especialista em Clínica Médica, Medicina Intensiva e ainda por cima, pós-graduada em Geriatria. Uma prosa necessária que juntou 90 viventes, todos de ouvidos atentos como quem escuta causo de assombração em volta do fogo.
Da memória que se vai como garoa em terra seca
A doutora Vanessa não deu volta pra falar da demência, aquele tema mais delicado que arame farpado, mas que precisa ser enfrentado de peito aberto. Como um tropeiro que conhece cada atalho do campo, ela conduziu a prosa com sabedoria, fazendo os presentes refletirem sobre a importância de cuidar da cabeça tanto quanto se cuida do resto do corpo. ‘Precisamos olhar pra cabeça com o mesmo carinho que olhamos pro chimarrão de domingo’, comentou um dos participantes, arrancando acenos de concordância. A reunião foi mais reconfortante que um abraço de mãe depois de um dia difícil, trazendo aprendizado e conforto para quem já está na etapa da vida onde as memórias valem ouro.
Vinte anos de tropeada contra a solidão
O programa que acolhe esses valorosos campeiros e prendas da vida já completou mais de 20 janeiros no Rio Grande, firme como palanque em campo bom. Capitaneado pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc, esse movimento é mais importante que água em tempo de seca para quem já passou dos 50 anos. Ali, os viventes se reúnem pra prosear, se divertir mais que guri em dia de chuva, confraternizar, aprender coisas novas e mostrar que ainda têm muito a contribuir com a comunidade através de trabalhos solidários. Como diz o ditado da campanha: ‘Tá amarelo, tchê, mas não tá sozinho!’ – uma lembrança de que mesmo nas horas mais escuras, sempre tem alguém pra acender um fogo e espantar a tristeza.
Hoje, o Rio Grande conta com 59 grupos ativos desses valorosos guerreiros espalhados por todo canto, como uma invernada de esperança. A iniciativa em Alegrete mostra que nossa gente sabe que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do pasto. Afinal, envelhecer não é cruzar os braços e esperar o tempo passar – é seguir tropeando com dignidade, de cabeça erguida e coração aquecido pelo convívio com os parceiros de jornada. Em tempos onde muitos viventes enfrentam a solidão mais cortante que vento minuano, o Maturidade Ativa prova que juntos, os alegretenses seguem firmes, construindo um novo significado para o envelhecimento, tão colorido quanto um entardecer no pampa.
Compartilha esse causo com aquele parente mais velho que anda tristonho pelos cantos do pago! Quem sabe não é o empurrãozinho que ele precisa pra encontrar sua tropilha?









