De gurizada ao jaleco: uma vocação campeira
Buenas, viventes! Lá das primeiras galopadas da vida, quando nem bem alcançava a altura do balcão do posto de saúde do bairro, o guri Dion Lenon já tinha os olhos mais brilhantes que estrela em noite de geada quando via o doutor atendendo. ‘Realmente é algo que nasceu comigo e nunca quis ter outra profissão’, conta ele, com aquela simplicidade de quem toma mate sem açúcar. Formado há sete anos pela UFSM, esse filho da terra alegretense sempre teve um rumo certo como tropa em dia de rodeio: se formar e voltar pro seu pago querido. Aqui, construiu uma medicina que mistura conhecimento técnico mais apurado que ouvido de campeiro experiente com um jeito de escutar que faz qualquer cristão se sentir acolhido.
No rastro da pandemia: a prova de fogo do doutor
Foi nos tempos brabo da pandemia que o doutor Dion Lenon mostrou ser mais resistente que guasca em inverno rigoroso. ‘Eu me envolvi muito com cada paciente em forma de troca. Eles conversam, contam histórias e isso também nos ajuda, não só como profissionais, mas como humanos’, relata o doutor, com a voz mansa de quem entende da vida. Enquanto muita gente curtia Natal, feriado e aniversário com a família, nosso médico tava mais atarefado que formiga em dia de chuvarada, fazendo plantão atrás de plantão. Mas como ele mesmo diz, com a satisfação de estar enchendo a alma de alegria ao ajudar os viventes em seus momentos mais delicados.
Alma de curandeiro, ciência de doutor
De manhã no pronto atendimento, depois na enfermaria, e à tarde entre consultório e ambulatório de medicina interna do município, o doutor Dion cavalga por diferentes trilhas da medicina. ‘Perder paciente é muito difícil, principalmente jovens e, infelizmente, às vezes, a gente não consegue reverter e o que sobra é apenas acalmar e consolar, mas me afeta muito’, confessa ele, com a sinceridade de quem não esconde o lado humano por trás do estetoscópio. O que poucos sabem é que nosso doutor é mais espiritualizado que benzedeira antiga. ‘Eu não consigo separar a questão material, física, da questão espiritual, independente do que o paciente acredita. É importante ajudar as pessoas a usar a sua fé no processo de cura ou de alívio’, explica ele, unindo o saber da ciência com a sabedoria da alma gaúcha. E num caso que ficou marcado como ferro em brasa, Dion salvou a vida do colega Carlos Cardoso, que chegou na emergência com um infarto agudo do miocárdio: ‘Foi um dos momentos mais desafiadores de minha formação e um dos mais gratificantes quando vejo ele bem hoje’.
Mas tchê, não é que esse médico nos ensina mais que receita de remédio? Dion Lenon, esse gaúcho de jaleco branco, mostra que a verdadeira medicina tem alma, tem fé e tem humanidade. Com a humildade de reconhecer seus limites, busca suporte psicológico para seguir firme no atendimento, porque como ele mesmo diz: ‘não é glamouroso estar com saúde mental ruim por excesso de trabalho’. Em Alegrete, temos a sorte grande de contar com um doutor que entende que cada abraço e cada ‘obrigado’ sincero são o melhor pagamento que um médico pode receber, mais valioso que qualquer moeda.
Compartilha esse causo com aquele amigo que vive dizendo que profissional bom só tem na capital! Mostra pra ele que aqui nos pagos de Alegrete temos doutores que são mais humanos que muito gaudério por aí!









