Saída na madrugada do pago
Mas bah, tchê! Quando o relógio marcava três horas da madrugada daquele domingo, o gaudério Éder, conhecido nas bandas de Alegrete como o ‘Bagual das Facas’, se aprumou todo, pegou um segundo capacete e montou em sua moto para rumar sem destino certo. O que ninguém imaginava é que, mais rápido que vento minuano, ele sumiria sem deixar vestígio, como água no banhado. Segundo o pai do rapaz, a prenda velha ainda tentou convencer o filho a descansar: ‘Vai dormir, filho’, ao que ele respondeu com simplicidade: ‘Vai a senhora, mãe’ – e se bandeou pela noite, sem que ninguém soubesse para onde o vento o levaria.
O rastro que o vento levou
Mais preocupados que cusco perdido em dia de trovoada, os pais do cuteleiro estão há mais de uma semana sem notícias do filho. ‘O telefone dele não atende mais e a gente não sabe o que aconteceu’, desabafou o pai, com a voz mais trêmula que chão em tempo de enchente. O homem ainda revelou à reportagem que ele e a esposa não têm conhecimento se o filho mexia com ‘erva ruim’, e tampouco sabem se o rapaz saiu para fazer um frete e acabou sendo surpreendido por algum maleva. O que se sabe é que Éder trabalhava na Palanque Cutelaria, onde era reconhecido como um artesão mais dedicado que campeiro em tempo de marcação, fazendo suas facas com a maestria de quem nasceu para o ofício.
O clamor que ecoa pela fronteira
Sem mais delongas, a família já registrou o Boletim de Ocorrência na Delegacia, mas agora precisa da ajuda de toda a comunidade alegretense para campear o paradeiro do vivente. Como diz o ditado da campanha: ‘Quem procura acha, quem pergunta fica sabendo’. Por isso, os pais do rapaz pedem que qualquer pista, por mais pequena que o brilho de vaga-lume, seja informada às autoridades ou diretamente pelo telefone (55) 99690-0322. A angústia de não saber onde anda o filho é como brasa viva que não apaga nem com sereno da madrugada.
Enquanto Éder não volta ao seu pago, Alegrete mostra mais uma vez que é terra onde a solidariedade tem raízes mais profundas que as do umbu centenário. Cada olhar atento nas estradas, cada pergunta nas rodas de mate pode ser a chave para trazer o filho de volta ao rancho da família. Afinal, como dizem nas rodas de galpão: ‘Da família, nem mesmo o vento separa’ – e todos os alegretenses agora são parte dessa família que busca seu filho perdido.
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