De olho no campereada da Brigada
Mas bah, tchê! Lá pelas bandas das 19h desta sexta-feira (14), enquanto a maioria dos alegretenses já pensava na quentura do mate após a lida, um entrevero dos grandes sacudiu o coração da nossa querência. A Brigada Militar fazia aquela campereada costumeira pelo bairro Canudos, região que, infelizmente, é mais conhecida pelo tráfico de entorpecentes que potreiro em dia de doma. Foi quando os milicos avistaram um guri numa motoca saindo dum ponto que, dizem por aí, é mais movimentado que bolicho em dia de pagamento.
Quando o cusco resolve disparar sem pensar
O motociclista, depois identificado como Romário Ravelli Oliveira Alves, ao perceber que os brigadianos tinham botado o olho nele, meteu a mão dentro do casaco – movimento mais suspeito que cusco rondando galinheiro. Os homens da lei, então, acenderam as luzes da viatura e deram o sinal, mas o vivente decidiu que não ia parar. Se mandou pela Avenida Doutor Lauro Dorneles numa velocidade de assustar até o vento, virou à esquerda na General Arruda e seguiu feito touro em disparada até a Rua dos Andradas. Ali, num cruzamento que virou cenário da tragédia, o guri avançou a preferencial mais apressado que gado em debandada e acabou se chocando com outro veículo que vinha tranquilo pela via, no seu direito.
Quando o destino cobra a conta
O baque foi daqueles de arrepiar a crina! Romário caiu estatelado no chão, mais tombado que poste em temporal. Uma segunda guarnição da Brigada, vendo o ocorrido, não pensou duas vezes e já tratou de acudir o guri. Ligeiro como relhampago, chamaram o socorro e levaram o rapaz pra UPA de Alegrete. Mas a sina do vivente já estava traçada – apesar de todo esforço da equipe médica, que lutou pra salvar o guri como peão defendendo troféu em rodeio, o óbito foi confirmado às 19h43, deixando mais uma família alegretense de coração partido.
Enquanto isso, lá no local do acidente, os policiais encontraram o que talvez explique a correria toda: 39 trocinhos embalados contendo um pó branco com toda cara e jeito de cocaína. A droga, que provavelmente seria espalhada pelos campos da nossa cidade, foi recolhida e levada pra Delegacia, onde vai parar num processo por tráfico.
As câmeras de um estabelecimento ali perto flagraram toda a cena, que já está nas mãos das autoridades. Os dois veículos foram recolhidos pra investigação, como manda o figurino. Esse caso triste mostra como a vida pode se apagar num piscar de olhos quando as decisões erradas são tomadas. Nossa Alegrete, que costuma ser mais tranquila que tarde de domingo no Parque Rui Ramos, vê mais uma vez o flagelo das drogas cobrando seu preço. Como diz o velho ditado campeiro: ‘Quem foge da lei, raramente escapa do destino’.
Compartilha esse causo com aquele amigo que acha que desobedecer ordem da Brigada não dá em nada! A vida é mais preciosa que ouro em bateia, vivente!









