De bons ventos a barranco seco
Buenas, vivente! A terra colorada de Alegrete já começa a ser revirada para receber as sementes do nosso arroz, mas o que era para ser uma lida cheia de esperança, virou um cenário mais preocupante que cusco em dia de trovoada. Segundo o 9º NATE do IRGA, a gurizada do campo anda com um pé atrás e outro mais ainda. Nilton Oliveira, técnico da autarquia que conhece o banhado como a palma da mão, explica que o motivo é um só: o preço do arroz despencou mais que ginete em montaria premiada, deixando os produtores com cara de quem tomou mate fervendo.
Dos R$ 110 aos R$ 68: o tombo que abalou a querência
Mas olha só esse entrevero, tchê! No agosto passado, a saca do arroz estava nos R$ 110, mais valorizada que cavalo crioulo em exposição. Hoje, o mesmo arroz que enche as panelas dos brasileiros tá sendo negociado a R$ 68 – enquanto o custo pra botar esse grão no mundo fica na casa dos R$ 100. É como diz o ditado da campanha: ‘Lavrar pra trás é que nem arar com égua prenha’. O técnico Nilton, que não é de florear as palavras, já adianta que a área plantada deve minguar uns 5% nesta safra. O problema, segundo ele, é que sobraram 2 milhões de toneladas do arroz da safra passada – mais estoque que paiol em ano de fartura. Com o consumo brasileiro mais estacionado que carreta em atoleiro, só a exportação pode salvar o nosso arroz do perrengue.
Mesmo com água nas barragens, o cenário segue arriscado
Os arrozeiros de Alegrete, quarto maior produtor nacional desse grão que é mais tradicional que o churrasco de domingo, seguem na peleia diária. De um lado, os custos de produção tão mais altos que vara de salto em rodeio – entre arrendamento, água, luz e insumos que custam os olhos da cara. De outro, as capivaras e javalis fazendo a festa nas lavouras, causando mais estrago que potro xucro em loja de cristal. O único alívio vem das barragens, que estão mais cheias que CTG em noite de fandango. O plantio começa dia 20 de setembro, e o produtor, com aquela coragem de quem enfrenta o minuano de bombacha leve, segue firme no propósito. Como diz o velho ditado campeiro: ‘Quem lida com a terra sabe que depois da geada vem o sol’.
Alegrete, que carrega no peito o orgulho de ser a quarta potência arrozeira do Brasil, enfrenta agora esse desafio com a resiliência que o povo da fronteira sempre demonstrou. Mesmo com o preço do arroz no chão e custos nas alturas, nossos produtores seguem preparando a terra, ajustando o passo conforme a música. Essa dança entre clima, mercado e tradição define não só a economia local, mas a própria identidade da nossa querência. A redução de 5% na área plantada é um sinal de alerta para toda a região, cuja economia gira ao redor dos grãos que alimentam o país.
Compartilha esse causo com aquele compadre produtor que tá quebrando a cabeça pra decidir quanto vai plantar esse ano! A prosa compartilhada sempre acha uma solução!









