O entrevero na estrada da fronteira
Mas bah, tchê! Lá pelas bandas do Posto Harmonia, naquela faixa de asfalto que liga nossa Alegrete à Uruguaiana, aconteceu um entrevero daqueles que deixa até o mais valente com o coração batendo mais ligeiro que cusco em dia de trovoada. Uma Fiat Toro e um caminhão se encontraram num beijo lateral mais feio que briga de compadres em fandango, quando vinham em sentido contrário pela BR-290, a uns 55 quilômetros da nossa cidade. A caminhonete não aguentou o tranco, saiu rodopiando mais que peão em final de rodeio e acabou capotando campo afora.
A salvação da gurizada e o milagre da santinha
Os dois viventes que estavam na Toro bem que poderiam ter se machucado feio, mas parece que São Pedro andava de olho na querência. As lesões foram leves, graças a Deus, e ninguém ficou preso nas ferragens – o que já é uma vitória maior que ganhar rifa de cordeiro em festa de igreja. Já o caminhoneiro saiu ileso do entrevero, mais inteiro que garrafa em mesa de abstêmio. Num piscar de olhos, a mobilização foi geral: o Corpo de Bombeiros e o SAMU chegaram mais rápido que notícia ruim, e a PRF de Alegrete também marcou presença para botar ordem no rebuliço.
A sentinela de fé que nem capotamento derruba
Mas o causo que deixou até os mais céticos de queixo caído foi a pequena gruta com a imagem de uma Santa que ficava justamente no lugar onde a caminhonete capotou. Enquanto a Toro dava mais voltas que cavalo em cancha reta, a santinha permaneceu firme como estaca em banhado duro, sem nem mesmo um arranhãozinho. Quem viu, garante: a pequena gruta ficou intacta, como se tivesse sido protegida por um manto invisível, desses que só a fé explica. Como diria a vó lá da campanha: ‘Onde há fé, até capotamento respeita!’
A rodovia que corta nosso pago sempre foi palco de causos que misturam perigo e providência. Este sinistro na BR-290 serve de alerta para todos os viventes que tocam seus ferros por aquelas bandas, mas também traz aquele arrepio de fé que só o gaúcho entende. Seja pelo milagre dos ferimentos leves ou pela santa que seguiu de pé, a história já corre pelos galpões de Alegrete como lembrete de que, nas estradas de nossa querência, é bom andar com atenção redobrada e uma rezinha na ponta da língua.
Compartilha esse causo com aquele compadre que sempre diz que não acredita em milagre – a santinha intacta vai deixar ele mais boquiaberto que gringo provando carne de ovelha pela primeira vez!









