A Tropa Estradeira Parte do Pago
Buenas, vivente! Há viagens que a gente faz com o corpo, mas tem outras que seguem trotando na alma por muito tempo depois. Foi assim a cavalgada moderna do Batista Padula, um alegretense mais estradeiro que cusco atrás de carroça. O gaudério, junto da prenda Liliane Padula e mais o casal amigo Laureano e Carmen Guerra, transformou o ronco das motos em poesia e os 21 dias na estrada em causos que vão render roda de mate por muitas tardes campeiras. A tropa de ferro trocou o pampa pelo Brasil inteiro, numa jornada que começou no sul e só parou quando as rodas beijaram o coração da Amazônia, mais precisamente as águas mais cristalinas que espelho em CTG novo.
Do Pó da Transamazônica às Águas do Tapajós
Mas bah, tchê! A comitiva de Alegrete não fez passeio de domingo, não! Esses baguais enfrentaram nada menos que a mítica Transamazônica, num trecho de 35 quilômetros sem asfalto que deixaria qualquer tropeiro de respeito com o queixo caído. Os viventes voltaram mais marrons que pelego velho de tanto pó. ‘Ficamos cobertos de poeira’, conta Padula entre risadas, relembrando quando a tropa virou marrom da cabeça aos pés. O velocímetro já marcava 4.342 quilômetros quando chegaram a Santarém, de onde se avistava o encontro das águas do Tapajós com o Amazonas – dois rios mais parceiros que mate e roda de viola, que andam juntos sem misturar as cores, como compadres que se respeitam.
O Paraíso Tem Endereço: Alter do Chão
Tchê, esse tal de Alter do Chão é mais fascinante que domingo de rodeio em semana farroupilha! Os quatro montadores de ferro chegaram nesse Caribe brasileiro e não tiveram cerimônia – foram direto pra água mais transparente que lágrima de prenda. ‘A delícia da água era indescritível’, conta Padula com brilho no olhar. ‘Tinha mesa e cadeira dentro d’água, gente sentada bebendo e proseando como se tivesse na sala de casa!’. Na Ilha do Amor, os alegretenses experimentaram pôr-do-sol mais colorido que lenço de peão em dia de festa. E foi assim por uma semana inteira: de praia em praia, de beleza em beleza, sempre com peixe fresquinho no bucho e gratidão no peito, enquanto no lombo da moto de Padula ia, orgulhoso, o nome de Alegrete – mais do que um adesivo, era um pedaço do pago viajando junto.
Depois de 8.938 quilômetros rodados (9.931 para o casal amigo), os baguais voltaram para o rincão com a alma lavada nas águas do Tapajós. Batista confessa que ‘deu certa tristeza ter que voltar’, mas trouxe na garupa algo que não se mede em quilômetros – descobriu o quanto o Brasil é mais diverso que patacão de troco e mais bonito que amanhecer na campanha. No fim, esses alegretenses provaram que nosso povo tem mesmo sangue aventureiro: saem pelo mundo, mas levam o pago no peito. E se a estrada ensinou algo aos quatro, foi que toda volta é apenas o primeiro galope de uma nova partida.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que vive sonhando em cruzar o Brasil de moto, mas só chega até o CTG do bairro vizinho! Quem sabe ele não se inspira e larga os arreios!









