O filho do Rio Grande que virou cidadão do mundo
Buenas, tchê! Tem gente que nasce com o espírito mais inquieto que potro xucro em dia de doma. É o caso do baita gaudério Cícero Bilhalba da Silva, um santa-mariense criado nas bandas de Palmeiras das Missões, que desembarcou em nossa querência no dia 1º de setembro. Com sangue gaúcho correndo nas veias – pai de Lagoa Vermelha e mãe uruguaianense – o vivente estacionou seu Ford Escape 2003 em Alegrete para uma visita à tia, antes de seguir campeando novos horizontes. Mais andarilho que tropeiro sem pouso, Cícero já carrega no lombo a experiência de quem visitou 25 países carregando apenas uma mochila nas costas, como se o mundo fosse seu pago.
Da Europa ao Oriente – o mundo virou rincão
Em 2012, esse guri desbravou a Europa, a Ásia e as Américas com a mesma naturalidade que a gente cruza o Ibirapuitã. ‘Foi uma experiência incrível’, conta ele, mais realizado que peão após um bom rodeio. Mas nem tudo são flores no caminho de quem se aventura. Em 2020, quando o tal do Coronavírus virou o mundo do avesso, Cícero teve que ser resgatado nas Filipinas e trazido de volta pro Brasil, mais às pressas que cavalo em disparada. No ano seguinte, o coração falou mais alto e ele namorou uma francesa que conheceu lá pelos cantos da Nova Zelândia, percorrendo juntos os Estados Unidos e México. Quando a prenda retornou pra sua terra, nosso andarilho, mais determinado que cusco em dia de caça, decidiu seguir sua trilha sozinho.
De Miami ao Atacama – o Ford Escape virou parceiro de aventuras
Mas bah, tchê! Em julho de 2022, nosso conterrâneo comprou um Ford Escape 2003 em Miami e transformou o carro em sua casa sobre rodas. Depois de labutar como guia turístico no Canadá por seis meses – juntando uma guaiaca bem recheada – ele se bandeiou pela América Central. Hoje o gaudério já soma 70 mil quilômetros a bordo do veículo, mais rodado que carreta em estrada de chão. De Alegrete, onde deve partir nos próximos dias, Cícero seguirá rumo à Região Central do Estado para rever os parentes, antes de apontar o focinho do carro para San Pedro de Atacama, no Chile. Lá, pretende trabalhar mais um tempo e juntar patacones para continuar seu projeto, batizado de Rodamundus. Aos 34 anos, falando inglês e espanhol como quem declama versos de trova, o guri que já foi até o Fim do Mundo agora se prepara para dar mais uma volta no planeta, tão à vontade pelo mundo quanto um gaúcho numa roda de chimarrão.
Em tempos onde muitos só viajam pelo celular, Cícero Bilhalba representa o verdadeiro espírito desbravador do gaúcho que não conhece fronteiras. Sua passagem por Alegrete nos deixa não só histórias de encher os olhos, mas também a certeza de que nossa gente, quando decide campear mundo afora, leva consigo a fibra e a coragem que só o povo desta terra carrega no sangue. O Ford Escape que hoje cruza nossas estradas logo estará enfrentando as areias do Atacama, mas o coração desse andarilho sempre terá um pedaço do Rio Grande batendo no peito.
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