Sentados no banco como quem espera tropeada
Buenas, vivente! Lá no Foro de Alegrete, a história mais triste da querência ganhou novo capítulo quando os dois tios do pequeno Márcio dos Anjos sentaram no banco dos réus, mais sérios que cavalo de guarda. O homem, já com marca de ferro da Justiça por outro homicídio, chegou escoltado pela Polícia Penal, mais vigiado que porteira em dia de tropeada. A mulher, por sua vez, compareceu campeando a hora marcada como quem sabe que o trato com a Justiça não aceita atraso. Diante dos sete jurados, escolhidos a dedo como sementes de boa safra, os dois encaram acusações pesadas: homicídio qualificado, tortura e maus-tratos – um arreiame de crimes que faria qualquer vivente baixar a cabeça.
Promotores mais firmes que estaca de galpão
Na cancha da acusação, os promotores Rochelle Jelinek e Rodrigo Piton, do Núcleo de Apoio ao Júri, trouxeram a tese que fez o plenário silenciar como campo depois de tempestade: os tios se omitiram após o espancamento cometido pelo pai da criança, que já tinha sido laçado pela Justiça e condenado em outubro deste ano a 44 anos de cana – pena mais comprida que estrada de fronteira. Os tios ficaram com a guarda do guri entre 14 e 16 de agosto de 2020, quando o pequeno já estava machucado como terneiro depois de rodeio. Mesmo vendo as marcas no corpinho, não buscaram socorro, deixando o estado do guri se agravar até que a vida dele se apagou no dia 17, mais rápido que chama em vento minuano. A promotora Rochelle não aliviou na prosa: ‘Esse menino, de apenas um ano e 11 meses, durante meses foi submetido a agressões, maus-tratos, tortura e espancamentos por parte do pai e dos tios, com quem residia.’ Palavras que doeram no coração de quem estava presente mais que espora em pé descalço.
O júri corre como água em sanga
No plenário, quatro prendas e três peões compõem o júri, escolhidos entre uns 50 viventes que a Justiça já tinha de olho. O juiz começou explicando as regras do jogo, mais detalhado que receita de carreteiro de domingo. Ao longo do dia, nove testemunhas desfilaram seus depoimentos – cinco trazidas pela acusação e quatro pela defesa, capitaneada pelo doutor Elvio Roberto dos Santos Silva Valle, que está peliando pela sorte dos réus. Os primeiros a falar foram dois homens da medicina – um perito que examina defuntos e um doutor de criança. Um conselheiro tutelar também prestou depoimento, falando do estado do guri quando o encontrou: ‘Estado deplorável’, disse ele, com a voz mais pesada que bolsa de domingo. A tristeza no olhar de quem testemunhou era mais profunda que açude depois de enchente, mostrando que certas histórias de nossa Alegrete machucam a alma gaúcha mais que espora em peito de potro.
Este julgamento, meus amigos, é mais importante para Alegrete que chuva depois de seca. Não é apenas sobre justiça para um pequeno guri que partiu cedo demais, mas sobre que tipo de comunidade queremos ser. Num pago onde a honra e o respeito sempre foram valores mais fortes que laço bem trançado, casos como esse nos fazem questionar como proteger melhor nossas crianças, os verdadeiros continuadores da tradição alegretense. Que a justiça, tão esperada quanto o amanhecer nas coxilhas, possa trazer algum conforto para as feridas que esta história deixou em nossa querência.
Compartilha esse causo com aquele amigo que defende a proteção das crianças da nossa querência! A gurizada é futuro do pago e precisa de toda nossa proteção!









