Da promessa ao potreiro abandonado
Buenas, tchê! Lá se vão mais de 10 anos desde que o governo do Estado fincou uma placa naquele pedaço de campo na ERS-566, nos Corredor dos Papagaios, anunciando a construção da nova Cadeia Pública de Alegrete. Era 2014 quando a ordem de serviço foi assinada com mais pompa que apresentação de gineteada. De lá pra cá, o que se viu foi um projeto que ficou mais parado que água de açude em dia sem vento. No lugar onde deveria estar erguido um moderno presídio, o que se encontra é apenas um aterro e umas estacas que o tempo já tratou de apagar, como rastro de tropa em dia de chuvarada.
Os bilhões que não chegaram na querência
Enquanto isso, o governo do Estado anuncia aos quatro ventos que, desde 2019, já destinou mais de R$ 1,3 bilhão em obras para o sistema prisional gaúcho. Um dinheirame mais vistoso que premiação de Freio de Ouro! Desse total, R$ 1,1 bilhão saiu dos cofres do Tesouro Estadual e outros R$ 147 milhões vieram da União. O governo até fez questão de divulgar, nesta quinta-feira (04), mais uma etapa da série de reportagens sobre os investimentos que transformaram o sistema prisional, com a inauguração da Cadeia Pública de Porto Alegre marcada pro dia 10. Mas e a nossa obra? Seguimos aqui na espera, como peão em fila de banco em dia de pagamento.
Nova promessa pra 2026: Será que agora vai?
Mas tchê, agora parece que a coisa vai! Pelo menos é o que diz o governo de Eduardo Leite, que anunciou a construção da Cadeia Pública de Alegrete com capacidade para 286 detentos. O investimento será de R$ 31,6 milhões, dinheiro que virá da União, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026. A empresa cearense Konpax Construções, que venceu a licitação em junho deste ano, ainda não tinha entregado os projetos quando a reportagem apurou o caso. É como dizem por essas bandas: ‘Promessa é dívida, mas nem toda dívida é paga no prazo’. O certame foi homologado em 13 de novembro do ano passado, com previsão de início das obras em maio. Mas assim como as outras tentativas que acabaram em nada, o povo alegretense segue desconfiado, mais cético que gaudério comprando cavalo de desconhecido.
Na terra onde o vento faz a curva, nossa querência alegretense segue esperando uma obra que já teve mais voltas que boiada em trovoada. Enquanto Porto Alegre e outras regiões recebem seus presídios novos, nós da fronteira oeste seguimos com uma promessa que começou em 2014, passou por 2019, e agora nos acenam com 2026. O tempo dirá se desta vez o projeto vai sair do papel ou se continuaremos a ver apenas uma placa solitária no meio do campo, lembrando que entre o dito e o feito há mais distância que da porteira ao fundo da invernada.
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