De guri a guardião: a sina da família Pires
Buenas, vivente! Tem gente que já nasce com o destino marcado nas veias, mais certo que trato de campeiro. Foi assim com Paulo Sérgio Aguiar Pires, um fronteirista de Santana do Livramento que se bandeou pra Alegrete ainda de bombacha curta, quando o pai – também brigadiano – recebeu ordens de trocar de querência. Mas bah, tchê! O moço nem tinha como escapar desse chamado: avô, tio-avô, pai, tio e primo, toda a linhagem dos Pires já vestia a farda da ‘Briosa’, como se diz por essas bandas quando se fala com carinho da nossa Brigada Militar. Foram exatos 34 anos e 6 meses servindo a comunidade, com a certeza firme como estaca de galpão que cada dia na farda era um compromisso de honra com a segurança do povo.
Entre o brilho e as tempestades da carreira
Esse tenente não foi de trotear mansinho pelos anos de serviço. Em 2017, meteu os pés na Operação Golfinho, que pegou mais malandro que laço em rodeio. ‘As pessoas chegavam para nos agradecer, queriam tirar fotos’, conta Pires, com os olhos mais brilhantes que a lua no Pampa. ‘Foi um momento em que sentimos de perto o quanto nosso trabalho fazia diferença’. Mas nem só de glória vive o brigadiano. No passado, junto da colega Palhano, foi chamado num repente quando um guri se engasgou com um pedaço de metal. O tenente agiu mais ligeiro que vento minuano e garantiu que a criança sobrevivesse. ‘A mãe nos agradeceu emocionada’, lembra ele. E como quem conhece o outro lado do ofício, Paulo Sérgio carrega também lembranças difíceis como o brutal assassinato de uma criança que abalou toda Alegrete anos atrás, e as despedidas de colegas que cruzaram o campo santo cedo demais. ‘Nessas horas, percebemos que a vida é apenas um sopro’, reflete, com a sabedoria de quem já viu o sol nascer e se pôr muitas vezes na linha do horizonte.
O último toque de clarim
Em 2021, mais firme que palanque em banhado, o tenente completou seu curso para sargento em Santa Maria, subindo mais um degrau na carreira que já tinha mais histórias que causos de galpão. Seu serviço foi reconhecido tanto no coração de Alegrete quanto nos rincões mais distantes da zona rural, onde exerceu suas últimas funções na ativa. Em cada canto deste pago, o compromisso era sempre o mesmo: servir e proteger, mais fiel que cusco de estância. Agora, aos 35 anos de serviço, Paulo Sérgio Aguiar Pires pendura a farda e ingressa oficialmente na reserva como tenente da Brigada Militar. ‘A farda pesa, mas é também motivo de orgulho. Carrego comigo as histórias, as dificuldades e as vitórias, sempre com a certeza de que valeu a pena cada dia vivido pela Brigada Militar’, declara o tenente, com a voz firme como quem sabe que cumpriu seu dever.
O legado do Tenente Pires é mais do que uma história individual – é um causo que se entrelaça com a própria identidade alegretense. Como tantas famílias brigadianas que servem ao Rio Grande, ele nos mostra que a honra de defender a comunidade passa de geração em geração, como um chimarrão que circula entre as mãos de quem compartilha os mesmos valores. Sua trajetória de dedicação e humanidade continuará inspirando a gurizada que hoje veste a farda, lembrando que por trás de cada brigadiano existe um coração que bate no mesmo ritmo dos pampas.
Compartilha esse causo com aquele amigo brigadiano que carrega a Briosa no peito – e com todo vivente que respeita quem dedica a vida a proteger nossa querência!
Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/paulo-sergio-aguiar-pires-uma-vida-dedicada-a-brigada-militar/









