A peleia de um gaudério contra o destino
Buenas, viventes do Baita Chão! Aqui temos um causo que corta o coração mais que faca afiada em dia de charqueada. O gaudério Nilton, homem firme como cepa de acácia, voltou pra querência depois de enfrentar dois meses em coma – uma invernada mais comprida que estrada de campanha. No dia 28 de junho, quando as portas do hospital se abriram, ele retornou pro pago, mas não voltou inteiro como saiu. O cusco do infortúnio mordeu forte, deixando sequelas que agora desafiam sua vida diária mais que potro xucro em primeira doma.
Quando o corpo fica, mas a conta não para
As pernas, que já levaram esse vivente por todos os rincões de Alegrete, agora estão quietas como água de açude. Pra se alimentar, depende de sonda – longe daquele churrasco que todo gaúcho aprecia. A medicação não pode falhar, tem que ser na hora certa como o amanhecer na campanha. As infecções aparecem mais teimosas que carrapato em cachorro pampeano, e uma escara avançada machuca sua pele como espinho de aroeira. A fisioterapia, que deveria ser diária como o mate da manhã, acontece apenas uma vez por semana – o que os bolsos da família conseguem custear. ‘Os gastos mensais passam dos 20 mil reais’, conta a prenda Julliane de Oliveira, filha desse guerreiro, com os olhos marejados como orvalho na geada. O SUS, parceiro de tantas batalhas, não consegue cobrir todos os cuidados que o vivente precisa nessa travessia difícil.
A solidariedade que renova as forças
Aqui na fronteira, a tradição ensina que nenhum gaúcho de verdade deixa um compadre apeado na estrada. Foi pensando nisso que a família criou uma vaquinha virtual, mais esperançosa que planta após chuva boa. A meta é garantir os próximos seis meses de tratamento, tempo suficiente pra ver se o Nilton recupera um pouco das forças, como campo que reverdece depois do inverno rigoroso. E tem mais um detalhe nesse causo que revolta até o mais calmo dos viventes: segundo a família, a motorista que atropelou nosso conterrâneo se bandeou do local mais ligeiro que luz de raio, deixando pra trás um homem ferido e uma família desesperada. Como diz o ditado da campanha: ‘Quem foge da responsabilidade acaba tropicando no próprio remorso’.
Essa história, que poderia ser de qualquer um de nós que cruzamos as ruas de Alegrete, mostra que a vida pode mudar mais rápido que vento minuano. Mas também revela que a força da comunidade alegretense pode ser o esteio que sustenta um vivente nas horas mais escuras. Cada contribuição, por menor que seja, é um raio de esperança no horizonte desse gaúcho e sua família. Como sempre dizemos por essas bandas: é nas dificuldades que se conhece os verdadeiros amigos, e Alegrete nunca deixou de estender a mão para os seus filhos.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que tem o coração maior que o pampa! Quem puder, acesse a vaquinha pelo link e ajude esse guerreiro: https://vaka.me/5662003 – O Rio Grande se faz na união dos seus!









