Da bombacha militar para o laço comercial
Buenas, vivente! Lá pelos pagos de Alegrete, tem um gaudério que campeia clientes com a mesma destreza que um bom peão laça um terneiro em dia de marcação. Márcio Rodrigo Zacarias Ramos, 47 anos, é mais certeiro nas vendas que cusco farejando churrasco em domingo de rodeio. O homem que hoje encilha sua expertise na filial da Quero-Quero da Andradas começou sua lida bem longe do comércio. De 1997 a 2004, o vivente vestia a farda do Exército Brasileiro no 12º BE, onde atuava como auxiliar de enfermagem, formado pelo programa Profae do governo federal. Ao lado da prenda Elizangela Lima, o casal toca a vida criando os dois guris, Victor e Guilherme Lima.
Da conferência de carga ao rodeio das vendas
Mais ligado que rádio em dia de Freio de Ouro, o gaudério deixou o quartel e se bandeou para a Caal, no supermercado da Barros Cassal. Por seis anos, de 2004 a 2010, conferiu mercadorias como quem conta ovelhas no campo – com precisão e paciência. ‘Foi um grande aprendizado, pois recebi muitos treinamentos e cursos para poder melhorar profissionalmente. Bagagem que levo para vida’, conta Márcio, com o orgulho de quem mostra um belo laço trançado. Em 2011, o destino levou nosso protagonista para as Lojas Quero-Quero, onde já soma 14 janeiros de dedicação. Começou na lida do depósito, passou a conferente de mercadoria e, nos últimos quatro anos, virou consultor de vendas – ou vendedor, como dizem os viventes por estas bandas. ‘Bastante experiência no decorrer do tempo e muito aprendizado sempre respeitando muito nosso cliente, tenho um diferencial sempre se colocando no outro lado’, resume, mais direto que tropeiro em estrada estreita.
Os segredos de um peão das vendas
Quando perguntado sobre o que é preciso para ser um bom atendente no comércio, o gaudério responde mais rápido que cusco em disparada: ‘Simpatia, educação e produtividade’. São os três pilares que sustentam o galpão do bom negócio. Para concretizar uma boa venda, Márcio não titubeia: ‘Conhecimento em que tu vai vender, relacionamento com o cliente e uma entrega técnica sobre o produto’. Mas e a crise, tchê? Aquela que deixa comerciante mais preocupado que fazendeiro em tempo de seca? ‘A crise afetou, baixou um pouco as vendas, mas conseguimos nos reinventar e se desenvolver de uma outra forma. Através de aplicativo de mensagens e visitas aos clientes, sempre buscando aqueles clientes e conquistando outros’, explica o homem que doma as dificuldades como quem amansa um bagual xucro. Com o celular mais ágil que relho em mão de peão, Márcio transformou a tecnologia em parceira: ‘Ao atender o cliente já salvo o contato e faço uma carteira de clientes. Estou sempre em contato, enviando novidades, promoções da loja, uma fidelização com o consumidor’. Pra se reinventar diariamente, o gaudério produz vídeos de produtos novos, envia mensagens de aniversário e, principalmente, agradece a cada venda – um respeito genuíno, mais gaúcho que o mate da manhã.
Na terra onde a tradição cavalga lado a lado com o progresso, Márcio Rodrigo representa o verdadeiro espírito alegretense: honesto no trato, firme no compromisso e incansável na busca pela excelência. Sua mensagem para os comerciários da querência merece ser gravada em cada balcão da cidade: ‘Não julgue as pessoas, os clientes pela aparência. Atenda sem discriminação. Trate todos de forma igual, de maneira que fosse um familiar de vocês’. Uma lição que vale mais que ouro em qualquer rincão do Rio Grande, e que faz do comércio local um lugar onde cada cliente se sente em casa, como em uma roda de chimarrão entre amigos.
Compartilha esse causo com aquele amigo comerciante que atende as pessoas com o mesmo carinho que serve um chimarrão bem cevado!









