Um Gaudério na Lida do Comércio Popular
Buenas, vivente! O céu de Alegrete amanheceu mais cinza nessa semana, e não é por causa do minuano que sopra forte nas coxilhas. A Santa Casa, que sempre acolhe os filhos dessa terra quando o corpo fraqueja, foi o último paradouro do nosso estimado Vitor Nei da Silva, que aos 77 anos, encilhou seu cavalo rumo à querência celestial. Mais conhecido que cusco em dia de feira, o ‘Uruguaio’ – como era chamado por todo vivente que cruzava a praça central – construiu sua história vendendo mercadorias em sua banca, com a mesma firmeza de um palanque bem fincado, resistindo às intempéries das mudanças no comércio popular.
Das Tropeadas ao Paraguai às Prosas na Banca
Quem conta um causo aumenta um ponto, mas não precisa de inventivo pra falar da trajetória desse homem de respeito. O vereador Leandro Meneguetti, que também já laçou no rodeio dos camelôs, guarda na memória as viagens que fez lado a lado com o Uruguaio rumo ao Paraguai, campereando mercadorias como quem procura gado em campo aberto. ‘Viajamos muitas vezes juntos. O Uruguaio era um amigo que fiz aqui. Sempre foi correto, trabalhador e querido por todos’, relembra Meneguetti, com a voz embargada como riacho em tempo de enchente. As histórias dessas tropeadas comerciais agora viram causos para contar em roda de mate, daqueles que fazem o chimarrão circular mais devagar entre os presentes.
A Marca de um Trabalhador na Memória da Cidade
Mais conhecido que a Ponte Borges de Medeiros, Vitor construiu sua vida no centro da nossa Alegrete com a persistência de quem sabe que o dia amanhece cedo e termina apenas quando o trabalho está pronto. Não era dessas figuras passageiras, que aparecem e somem mais ligeiro que vento minuano. O Uruguaio era como um marco na praça, desses que servem de referência quando alguém pergunta por direção. ‘Siga em frente e passa pela banca do Uruguaio’, diziam os alegretenses. Agora, a cidade perde não apenas um comerciante, mas um pedaço de sua própria história viva – daquelas que se contam de geração em geração, como quem passa um chimarrão na roda.
A partida do Uruguaio aos 77 anos deixa mais que uma banca vazia no camelódromo de Alegrete – deixa um espaço na memória coletiva da cidade que nenhuma mercadoria poderá preencher. Como dizem na campanha: ‘Quem planta trabalho, colhe respeito’. E Vitor Nei da Silva colheu o respeito de nossa terra em abundância, provando que não é preciso ter estância grande para deixar um legado de valor na querência amada.
Compartilha esse causo com aquele vivente antigo que ainda lembra quando comprou sua primeira bugigangas na banca do Uruguaio lá no centro da cidade!









