Um tordilho na sala de visitas
Buenas, vivente! Em meio aos acordes da gaita e o cheiro do carreteiro que tomam conta de Alegrete na Semana Farroupilha, um causo diferente fez os olhos marejarem na Casa Lar Ari Paim. Foi lá que o CTG Vaqueanos da Fronteira, mais gaúcho que churrasco em domingo, teve uma ideia de gaudério raiz: levar um cavalo pra visitar os velhinho que já não podem mais campear pelos campos da Terceira Capital Farroupilha. Isso mesmo, parceiro – um baio de verdade, com crina, cola e tudo mais, foi parar no pátio da instituição, num encontro que nem a mais linda trova conseguiria descrever.
Quando o passado galopa de volta
O patrão Adarino Guedes de Deus, homem com mais amor pelo cavalo que cusco por ossada, não chegou sozinho nessa empreitada. Acompanhado da prenda que lhe serve de esposa, ele conduziu o animal manso até os idosos que, ao verem o lombo do cavalo, sentiram o tempo recuar mais ligeiro que vento minuano. ‘Ai, que saudade eu estava de um cavalo’, disse um dos viventes da Casa Lar, com os olhos mais brilhantes que estrela em noite de campo. Pra quem passou a vida encilhando e desencilhando, sentindo o tranco da montaria nas lidas campeiras, aquele reencontro era como voltar às querências abandonadas pelo peso dos anos.
A peleia contra o esquecimento
Mais que um simples animal, o cavalo levado até a Casa Lar foi um portal no tempo pra esses homens que já vararam muita estrada. Na Fronteira Oeste, onde o bicho é quase extensão do homem, esse encontro veio pra mostrar que nem todo o tradicionalismo do mundo vale se não chegar até quem mais precisa dele. Enquanto a cidade se enchia de bombachas novas e lenços flamantes, lá na Casa Lar acontecia o verdadeiro espírito farroupilha – aquele que une gerações, que reconhece o valor dos mais velhos e que entende que o respeito é mais valioso que qualquer espora de prata. Como diria o velho ditado campeiro: ‘Quem esquece as raízes acaba perdendo o rumo da estrada’.
Em resumo, tchê, enquanto muitos celebram a Semana Farroupilha com desfiles e apresentações, o CTG Vaqueanos da Fronteira mostrou que o verdadeiro valor da tradição está em levar conforto aos corações que ajudaram a construir nossa história. Ali, naquele encontro entre homens experientes e o fiel companheiro de quatro patas, Alegrete viu o que significa realmente honrar nossas raízes – não apenas em discurso, mas em gestos que aquecem a alma como um mate em manhã de geada.
Compartilha esse causo com aquele gaudério que sempre diz que tradição é coisa do passado – pra ele ver que um gesto simples pode transformar o dia de quem já carregou nossa cultura nas costas!









