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DESCONHECIDO no MUNDO, mas um TESOURO da nossa QUERÊNCIA: o gaúcho que transforma o CAMPO em ARTE

Em sua propriedade no Durasnal, o médico veterinário alegretense Rudiero Gonçalves doma o ferro como quem doma um redomão, transformando o cotidiano campeiro em obras que contam causos sem palavras





Entre Laçadas e Pinceladas: Um Bagual das Artes

Buenas, vivente! Em um rincão de Alegrete onde o minuano sopra histórias e o tempo corre no compasso manso das tropilhas, tem um gaudério que é mais versátil que canivete de campeiro. Lá no Durasnal, na propriedade que batizou de ‘Flor do Paraíso’, o médico veterinário Rudiero Silveira Gonçalves, 44 anos, carrega na garupa tanto a ciência dos bichos quanto a arte que brota das suas mãos.

Nascido e criado nestes pagos em 1981, o vivente se formou em Medicina Veterinária pela Urcamp e depois se especializou em gestão do agronegócio, percorrendo propriedades pelos três estados do Sul mais ligeiro que tropeiro com pressa. Mas foi no silêncio do campo, entre um mate e outro, que esse filho da fronteira descobriu que tinha outro dom: transformar em arte aquilo que o pampeiro costuma enxergar como simples ferro velho.

Da Ferradura ao Verso: O Alquimista do Pampa

Quem vê Rudiero dobrando arames retorcidos como quem domina um redomão xucro, nem imagina que tudo começou na época da faculdade, quando ele se aventurou a pintar óleo sobre tela. As cores fortes e as formas experimentais foram só o início da peleia. Logo o guri do Durasnal estava transformando materiais mais duros que teimosia de mula: arame farpado, pedaços de ferro esquecidos no galpão, madeira marcada pelo tempo e pelas intempéries do pampa.

Nas mãos desse campeiro, ferraduras usadas viram poesia em forma de escultura na série ‘Poesia de Uñas’. O ferro que antes protegia o casco do animal agora protege a memória da nossa cultura. É como diz o ditado por estas bandas: ‘não se perde o que se transforma’. E o Rudiero sabe transformar que nem alquimista antigão, desses que os mais velhos contam que existiam nas histórias de galpão.

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Da Porteira ao Mundo: Arte com Raízes no Chão

Em Alegrete, o rastro artístico desse veterinário já marca território como boi em invernada nova. Suas obras ocupam espaços de destaque na cidade, como a Rosa dos Ventos em Parrija e a Mangueira de Pedra, que já virou ponto de referência pros viventes da região. Mas não para por aí, tchê! A arte do Rudiero também se estende aos versos, onde o pampa é mais do que cenário – é personagem vivo, respirando entre as palavras.

Em poesias como ‘Anhelo’ e ‘Pudim de Vainilla’, o artista campeia memórias afetivas como quem busca uma ovelha perdida no campo. São causos de família, valores passados de geração em geração, como um chimarrão que circula na roda. É a sabedoria dos antigos transformada em palavra escrita, tão forte e duradoura quanto as esculturas de ferro que cria.

‘Não sou artista de academia, sou artista de galpão’, costuma dizer esse alegretense que se define como ‘mundialmente desconhecido, mas saindo do anonimato’. Entre o manejo dos bichos e o silêncio da oficina, Rudiero prova que a arte pode nascer em qualquer lugar – até mesmo no coração do pampa gaúcho, mais longe do Louvre que potro de domador.

Mais do que um veterinário que faz arte, Rudiero é um contador de histórias que usa ferro, madeira e palavras como ferramentas. Em cada peça, em cada verso, ele preserva um pedaço de Alegrete, da fronteira e do modo de vida que corre risco de se perder na correria moderna. Quando transforma materiais descartados em obras de contemplação, está nos ensinando que nada se perde na vida campeira – tudo se renova, como os campos após a chuva. Do Durasnal para o mundo, esse filho da nossa terra mostra que a arte mais autêntica nasce quando estamos enraizados no chão que pisamos, mas com os olhos livres para enxergar além das cercas.

Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que tem alma de artista mas ainda não descobriu o dom! A arte está em todo lugar – até no galpão mais simples do interior de Alegrete!

Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/rudiero-mundialmente-desconhecido-mas-saindo-do-anonimato-e-como-o-artista-plastico-se-define/


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