Quando o campo era o parquinho
Mas bah, tchê! O Dia da Criança tá aí e nos convida a uma proseada sobre como era ser guri nessas bandas de Alegrete lá pelos anos 70 e 80. Tempo em que celular era mais raro que chuva em janeiro e a diversão corria solta pelos campos e ruas da cidade! A gurizada de antigamente brincava com o que tinha pela frente, enquanto os pequenos de hoje parecem nascer já com um smartphone grudado na mão. Os avós deste pago, que um dia foram aquelas crianças de pés descalços, agora se desdobram pra mostrar aos netos que existe vida além das telinhas luminosas.
Das caçimbas aos smartphones
A prenda Sílvia Menezes, que festeja aniversário no mesmo dia das crianças, traz na memória a infância dos anos 70, mais trabalhada que cavalo em dia de rodeio. ‘Com 10 anos eu já labutava de babá dos filhos do desembargador Bráulio Marques e ainda ajudava minha mãe em casa. Ganhava uns bonequinhos comuns de Natal – e a gente era feliz’, conta ela, com os olhos marejados como barragem em tempo de cheia. Já a vivente Lúcia Marina Dorneles recorda da vida no campo, onde a diversão era mais livre que potro sem doma: ‘Brincávamos na caçimba, com barro de tabatinga e nos matos do Jacaquá. Meu primeiro brinquedo veio só aos 8 anos: uma pequena cozinha com uma bonequinha’. E completa, firme como estaca de mangueira: ‘Os netos de hoje nem sabem o que é isso. Vivem vendo desenhos, passeando nas pracinhas, brincando com carrinhos caros… Tudo mudou, mas o que não muda é o encanto de ser criança’.
Resgatando o campear da infância
Cláudia Alabi, uma china de 50 janeiros, traz na bagagem lembranças mais coloridas que carreta de ciganos. ‘Tive uma infância muito boa, com amigos e muita diversão na rua’, relembra ela, que hoje faz das tripas coração pra mostrar aos netinhos Pedro e Letícia que existe graça além do celular. ‘Invento brincadeiras em casa e tento afastá-los um pouco dessa tecnologia toda’, diz ela, mais preocupada que cusco cuidando de filhote. As crianças de hoje, segundo as prendas entrevistadas, mal conhecem bichos como ovelha, porco ou galinha – vivem mais apartados da natureza que gringo em CTG. ‘É preciso resgatar isso’, sentencia Sílvia, com a sabedoria de quem já viu muita água passar por baixo da ponte.
Do barro de tabatinga aos tablets de última geração, a infância em Alegrete transformou-se como muda o campo nas estações. Os avós, que ontem eram crianças a brincar nas ruas e campos desta querência, hoje carregam a missão de mostrar aos pequenos que a vida vai muito além das telinhas. Entre o passado de brincadeiras livres e o presente tecnológico, uma verdade permanece firme como estaca de galpão: o brilho nos olhos de um guri feliz continua sendo o mesmo, seja correndo pelos campos ou descobrindo o mundo através dos aparelhos modernos. Afinal, como dizem por essas bandas, ‘criança é como semente boa – só precisa de chão fértil pra crescer direito’.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que viveu a infância brincando na rua e hoje reclama que a gurizada só quer saber de celular! A prosa vai render mais que mate em roda de domingo!









