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ADEUS ao nosso Julio da Sinaleira: o GAÚCHO que fazia da esquina sua QUERÊNCIA

Entre acenos e sorrisos, o vivente mais querido do semáforo de Alegrete deixou nossa invernada grande, mas carregou consigo um legado de gentileza que nem o minuano levará embora





O Guardião da Esquina que Abençoava Passantes

Buenas, tchê! Nossa Alegrete amanheceu de luto nesta segunda-feira (18), quando o semáforo da Lauro Dorneles ficou mais ermo que campanha em dia de chuvarada. É que nosso Julio Fernando Oviedo da Silva – o Julio da Sinaleira, como era conhecido por toda a gurizada – se foi aos 49 anos, depois que um infarto levou embora aquele coração mais grande que galpão de estância. O vivente que transformava o canteiro central num pedaço de pago, sempre acompanhado de sua inseparável bola de basquete e sua garrafa de Coca-Cola, agora descansa em outro plano, deixando um vazio maior que campo sem horizonte na paisagem alegretense.

O Homem que Domesticou o Tempo da Cidade

Julio não era doutor formado nem tinha cargo importante, mas era mais querido que churrasco em domingo de campanha. Sentado, escorado na parede ou no canteiro, aquele gaudério tinha um dom: fazia do seu aceno simples uma prenda valiosa que distribuía sem economia. Mateando com os olhos a correria urbana, levantava a mão pra cumprimentar cada vivente que passava, como quem diz: ‘te enxerguei, parceiro, seja bem-vindo ao meu pedaço de chão’. Era um gesto mais singelo que flor de campo, mas que valia mais que moeda de ouro pra quem recebia. O vereador Joceli Oviedo, seu primo, relembrou que Julio era ‘cria do bairro Piola’ e tinha uma paixão mais forte que laço bem trançado por caminhar até o centro. ‘Ninguém o segurava em casa. Julio sempre respeitou a todos e gostava de estar entre as pessoas’, destacou o parente, com a voz mais embargada que arroio em tempo de enchente.

A Saudade Que Ficou no Semáforo

Pra esse bagual, a vida não precisava de muito floreio. Bastava ser enxergado, receber um cumprimento, um olhar de reconhecimento – coisa mais rara que chuva em janeiro nesse mundo apressado. E assim, mais paciente que pescador de domingo, ele ensinou pra toda Alegrete que as maiores lições vêm em gestos pequenos, como aprendemos com os antigos: ‘É no silêncio do pago que se escuta a voz da alma’. As últimas homenagens ao nosso guardião acontecem no bairro Piola, na rua Marechal Castelo Branco, com sepultamento marcado para esta terça-feira, às 11h. A sinaleira continua lá, regulando o vai-e-vem dos carros, mas agora sem seu mais fiel companheiro. Está mais solitária que gaita em canto de galpão.

Agora, quando passarmos por aquele cruzamento, olharemos pro canteiro e sentiremos a falta daquele aceno. Mas é assim mesmo que funciona o pago: alguns partem, mas deixam marca mais funda que rastro em barro molhado. O legado de Julio da Sinaleira vai continuar no coração de cada alegretense que aprendeu, com aquele simples abano de mão, que mesmo na correria da cidade, sempre cabe um gesto de carinho. Como dizia a vó antiga: ‘Não é o tamanho do presente que importa, mas o tamanho do sentimento’. E de sentimento bom, Julio entregou carreta cheia pra nossa Alegrete.

Compartilha esse causo com aquele amigo que passa todo dia pela sinaleira e vai sentir a falta do nosso Julio! Que ninguém esqueça o homem que nos ensinou que um simples aceno pode valer mais que palavra!

Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/adeus-a-julio-da-sinaleira-o-homem-simples-que-ensinou-carinho-no-cotidiano/


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