Da estrada para as ruas: o gaudério que faz o aço brilhar
Buenas, vivente! Se ouvir um chamado diferente ecoando pelos bairros de Alegrete, preste atenção! Não é assombração nem bicho brabo, é o Elias Freitas da Silva Quevedo, um bagual de 51 anos que faz da arte de afiar facas seu ganha-pão diário. Mais dedicado que cusco guardando porteira, esse porto-alegrense que arribou pra nossas bandas em 2018 transformou a necessidade em virtude. Depois de ser afastado de uma empresa de transporte, ressurgiu feito taquara após a geada, montado em sua magrela adaptada, levando um ofício que tá mais em extinção que potreiro sem cerca.
Pedal, pedra e paciência: o segredo do ofício
Mas tchê, a história desse vivente é mais interessante que causo em roda de mate! Elias aprendeu o ofício com o pai e agora percorre nossa Alegrete inteira, do centro até o bairro Airton Sena 1, onde mora. A sua bicicleta parece coisa de inventista de fronteira: tem uma pedra de afiar adaptada e um aro de bicicleta pequeno acoplado ao maior. Quando o homem sobe na magrela e começa a pedalar, a mágica acontece – e as facas, tesouras, enxadas e até alicate de unhas ganham um fio mais cortante que língua de comadre. Antigamente, ele chamava a freguesia com uma flauta tradicional, mas o instrumento se estragou. Agora, modernizado como galpão com internet, usa uma caixa de som com microfone para anunciar sua chegada. Por valores entre R$ 8 e R$ 20, o amolador devolve vida às ferramentas que já estavam mais sem serventia que espora em pé de bailarino.
O casal que faz arte do seu jeito
A parceira de lida, dona Alda Margarete Quevedo da Silva, uma alegretense de raiz e ex-recicladora, acompanha o marido nas andanças pela cidade. Enquanto Elias faz o aço cantar, ela encontrou seu próprio caminho nas artes. Por conta de um auxílio-doença, aprendeu a pintar quadros e sonha mostrar suas criações no Brique da Praça, como quem sonha com campo aberto. O casal foi encontrado pela reportagem na Praça dos Patinhos, com o carrinho já carregado e serviços marcados para o outro lado da ponte. Dona Alda ia de carona na bicicleta do companheiro, numa parceria mais bonita que entardecer no pampa, os dois firmes no propósito de ‘defender o dinheiro do dia’, como dizem os mais antigos. ‘O pessoal tá meio sem dinheiro’, lamenta Elias, mais sincero que promessa em véspera de eleição, mas sem nunca perder a vontade de seguir em frente.
Em tempos de descartáveis e modernidades, Elias representa aqueles ofícios que carregam a alma da nossa tradição – feitos com mãos calejadas e sabedoria passada de pai para filho. A cada pedalada por Alegrete, ele não apenas afia ferramentas, mas mantém viva uma profissão que conta a história do nosso povo. E ainda projeta expandir o negócio com uma banca móvel para eventos da cidade, provando que, como bom gaúcho, tem mais planos que campo tem horizonte. Para contato, o número é (51) 98248-7842 – ele não entende muito de telefone (‘meu negócio é trabalhar’, diz), mas dona Alda faz todo o atendimento com agenda e combinações.
Compartilha esse causo com aquele compadre que ainda guarda a faca do avô precisando de um bom fio! E se cruzar com o Elias pedalando pela cidade, valorize esse gaúcho de ofício raro que nem cusco em casa de gato!









