Do grito de guerra ao chimarrão da negociação
Mas bah, tchê! A coisa tava mais feia que cusco em dia de temporal no bairro Nilo Soares Gonçalves! Com as ruas transformadas em verdadeiros ‘banhados de inverno’, a gurizada já tinha afiado os facões e marcado um protesto pra sábado (27), cansados de ver seus carros pulando mais que potro xucro em cada buraco. Mas antes que a boiada se movimentasse, a Prefeitura de Alegrete se ligou que o bicho ia pegar e chamou pra prosa os líderes da comunidade. A presidente do bairro, Marta Mosselin, junto com o secretário Tiago Maicá, foram recebidos pelo prefeito Jesse Trindade e o vice Luciano Belmonte numa roda de conversa que acabou desarmando os ânimos mais exaltados.
As crateras que isolaram um pago
Desde 2013, quando as 526 casas do complexo Minha Casa Minha Vida foram entregues pela Construtora Sotrin, as ruas começaram a se deteriorar mais ligeiro que geada no sol de meio-dia. Os viventes contam que logo apareceram os primeiros buracos, mas nunca houve conserto porque ficou um jogo de empurra-empurra entre a Caixa Econômica e a construtora. Sem fiscalização e com o tempo passando, as ruas viraram um verdadeiro ‘entrevero’ de crateras. ‘A comunidade se sentia isolada’, relatam os moradores, mais abandonados que rancho velho em campo aberto. Até os ônibus e motoristas de aplicativo já não queriam mais entrar no bairro, deixando os mais de dois mil habitantes daquele rincão da zona leste praticamente apeados.
A promessa que adiou a peleia
Na reunião desta quarta-feira (24), a Prefeitura se comprometeu a fazer reparos emergenciais, atacando primeiro as vias de acesso ao bairro. Segundo a presidente Marta Mosselin, as primeiras ações serão paliativas – ou como diria o gaúcho, ‘um remendo que aguenta até chover’. Mas a boa nova é que está em andamento a contratação de uma empresa que fará os reparos em TODAS as ruas do bairro. Como diz o ditado campeiro: ‘Antes um gole de água na seca do que promessa de chuva’. A gurizada do Nilo Gonçalves decidiu então guardar as bandeiras e os cartazes, mas continua de olho vivo, esperando que as promessas não voem como penas ao vento minuano.
Esta história mostra como a organização comunitária pode ser mais eficiente que espora em cavalo manso. Enquanto os viventes do Nilo Gonçalves aguardam as melhorias prometidas, fica a lição de que quando o povo se une, nem as estradas mais cascudas resistem. Uma vitória para os mais de dois mil alegretenses que já não aguentavam mais o descaso com seu pedaço de chão, isolados por buracos que nem os mais habilidosos domadores conseguiam desviar.
Compartilha essa notícia com aquele amigo que vive reclamando dos buracos da sua rua – pra ele ver que quando a gurizada se organiza, até a Prefeitura apressa o passo!









