Do quadro-negro às estantes encantadas
Mas bah, tchê! Alegrete tem dessas figuras que são mais preciosas que água em tempo de seca. Ana Lúcia Vargas é dessas prendas raras que, como baquiana das letras, vem tropeando por diferentes picadas da educação há mais tempo que bombacha de campeiro velho. Professora de mão-cheia nas redes municipal e estadual, a vivente já laçou desafios nos Anos Iniciais, deu rédea solta ao conhecimento na Educação de Jovens e Adultos e, faz nove janeiros, encontrou seu pago nas bibliotecas do Ciep e da Escola Princesa Isabel. Ali, entre páginas amareladas e novinhas em folha, ela faz o que guri de ponta de rua faz com bola: domina, conduz e marca um golaço no incentivo à leitura.
A tropeira das histórias que carrega mundos na garupa
Formada em Pedagogia e carregando na mala mais especializações que charque em armazém de campanha, a professora não se contentou em ficar só no rodeio das salas de aula. Foi mais longe que gado em dia de campo aberto: virou Mestra em Políticas Públicas, pesquisou Gestão Democrática e agora, como quem prepara um bom churrasco, está se aperfeiçoando na arte da Contação de Histórias – ofício que abraçou há 11 janeiros com a força de quem agarra um bezerro em disputa de tiro de laço. E olha, parceiro, o talento da prenda não fica só entre as cercas da escola! Por cinco anos foi mediadora no Clube de Leitura Leia Mulheres e por três invernos conduziu o projeto ‘Cartas de Afeto’ com as viventes do Presídio Estadual, provando que livro é liberdade até pra quem tá entre grades. Ainda no presídio, integra a Comissão que avalia leituras para remissão de pena – transformando páginas em dias de alforria!
Da tinta no papel ao coração do povo
Mais gaúcha que roda de mate em tarde de domingo, Ana Lúcia também escreveu seus próprios causos. Foi co-autora de três obras que estão mais bem guardadas nas prateleiras alegretenses que faca bonita em bainha de couro: ‘As 111 Melhores Micronarrativas Escritas por Nós no WhatsApp’, ‘Cartas de Afeto’ e ‘Sedimentos’. Mas é como contadora de histórias que essa vivente se destacou mais que laço enfeitado em domingo de rodeio! O seu projeto ‘Era Uma Vez’ já completou mais de uma década galopando por escolas da cidade e região, levando histórias que fazem os olhos da gurizada brilharem mais que estrela em noite de São João. Uma de suas tropeadas mais importantes é o trabalho de Educação Antirracista e o programa ‘A Escola Protege’, que usa os livros infantis como quem usa um escudo: para defender os pequenos contra o mal do abuso. Tanto esmero rendeu frutos: em 2023, recebeu o Prêmio Mérito Cultural Alegretense pela Lei Paulo Gustavo – uma medalha mais merecida que descanso depois de um dia de lida pesada!
Ser homenageada na 44ª Feira do Livro de Alegrete é reconhecimento que deixou Ana Lúcia ‘mais emocionada que guri com brinquedo novo’, como ela mesma confessou. ‘Ver o trabalho respeitado como boa influência para a cidade é uma honra, ainda mais sendo professora da escola pública’, revelou a prenda ao receber a notícia. Como uma tropeira que conhece cada palmo de terra da nossa literatura, Ana Lúcia Vargas agora entra para a história ao lado de outros grandes nomes que, em quatro décadas, ajudaram a fazer da nossa Feira do Livro um dos eventos mais tradicionais deste pedaço de chão da Fronteira Oeste. Em tempos de telas e botões, ela prova que um bom livro ainda é campo aberto para a imaginação correr solta como potro em manhã de primavera.
Compartilha esse causo com aquele professor guerreiro que, como Ana Lúcia, acredita que um livro pode mudar o rumo da vida de um guri! Manda também pro vivente que anda mais sumido da leitura que água em tempo de estiagem!









