O tropeiro que cruzou fronteiras para fazer história
Buenas, vivente! O amanhecer desta quarta-feira (24) trouxe junto com o mate amargo a notícia que nenhum gaudério queria escutar. Partiu para o último rodeio, aos 72 anos, o tradicionalista Neuri Tito Quirino, patrão do CTG Aconchego dos Caranchos, após quase 30 dias internado na Santa Casa de Alegrete, lutando contra problemas de saúde mais teimosos que cusco em dia de tropeada. Nascido nas terras de Uruguaiana, mas com o coração firmado em Alegrete como raiz de umbu, Neuri construiu uma história mais bonita que entardecer em campo aberto. Filho de Eni e Constantino Quirino, em 1980 selou sua parceria de vida com a prenda alegretense Fátima Elizabete Biscaino Quirino, união que deu fruto ao filho Virlei Biscaino Quirino.
Da representação comercial ao laço nas tradições
Antes de se banquear nas lidas campeiras, o vivente pisou firme como representante comercial até 1990, quando decidiu mudar os rumos como quem muda a tropa de invernada. No ano seguinte, de mãos dadas com a companheira, Neuri se jogou na vida rural, plantando e colhendo não só na terra, mas também no coração da comunidade do bairro Assumpção. Mais presente que sol em dia de marcação, o homem não media esforços para apoiar bailes da terceira idade, dar a mão para a Secretaria de Assistência Social, apadrinhar a EMEI Menino Deus e puxar a carreta de inúmeras ações solidárias. O CTG Aconchego dos Caranchos recebeu sua marca em 2001, quando entrou para a patronagem mais determinado que potro em cancha reta. Foi tesoureiro até 2003, e em 2009 assumiu como 1º Capataz, antes de tomar as rédeas como Patrão em 2010 – cargo que seguiu ocupando em reeleições que vinham mais certas que churrasco em domingo de campanha.
Um legado firme como marca em relho de couro
Em 2012, quando foi escolhido para presidir o Conselho Deliberativo da Campereada Internacional de Alegrete, Neuri mostrou que tinha tino para comandar até os eventos mais importantes do calendário tradicionalista, sendo reconduzido em 2013 e anos seguintes. Sob sua liderança, o CTG virou um verdadeiro galpão de portas abertas, acolhendo causas sociais com a mesma hospitalidade com que se recebe um compadre após longa viagem. A grandeza do homem era tanta que, em 12 de novembro de 2013, a Câmara de Vereadores lhe concedeu o Título de Cidadão Alegretense – reconhecimento que chegou naturalmente, como água que encontra seu curso. A solenidade reuniu autoridades, família e a invernada artística do CTG em celebração que marcou a história como ferro quente em madeira. Além de campear pelas tradições, Neuri também deixou sua voz registrada nas ondas do rádio, primeiro na Rádio Alegrete e depois na Rádio Sentinela, levando o chimarrão das tradições para quem nem podia sair de casa.
Mais do que um patrão de CTG, Neuri Tito Quirino foi um verdadeiro guardião da chama crioula em Alegrete. Com a mesma habilidade com que um domador conquista a confiança do cavalo, ele conquistou o respeito e o carinho de toda uma comunidade. As últimas homenagens acontecem na Funerária Angelos, na rua Daltro Filho, nº 220, com sepultamento marcado para as 17h desta quarta-feira. Que os campos do céu recebam este gaúcho de peito aberto e que sua memória siga viva nas rodas de mate, nos galpões de CTG e no coração de cada alegretense que teve o privilégio de cruzar seu caminho.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que honra nossas tradições e entende que homens como Neuri são a alma do nosso pago!









