Quando o poço seca, o valor da água aparece
Buenas, vivente! Lá nas bandas do Jacaraí, interior de nossa querência alegretense, a situação tá mais difícil que tosa de ouriço. Faz cinco meses – tempo de um inverno inteiro – que as famílias daquela localidade estão usando água de cacimba, às vezes turva como barro de banhado, mas é o que resta. Tudo começou quando Maria Elizia Lopes Kaplan, mais atenta que cusco cuidando porteira, foi fazer a leitura do relógio da RGE e se deparou com um problema elétrico. Desde então, a bomba que enche a caixa d’água silenciou, mais quieta que gaudério em velório.
A peleia entre a comunidade e a burocracia
Mas caprichosa como boa prenda, dona Maria não baixou a cabeça. No dia 24 de março, pediu visita técnica da empresa e a Defesa Civil de Alegrete, pilchada de boa vontade, entrou na história para ajudar a resolver o entrevero. O poço artesiano ficou de cama, com a bomba queimada mais torrada que pinhão em fogo alto, e o laudo da RGE confirmou que o culpado foi problema na rede elétrica. A comunidade fez o que mandaram: preparou dois orçamentos e entregou. Mas aí, tchê, é que o cavalo empacou! Os papéis não foram aceitos e a novela se estendeu. ‘As vezes a água está escura, mas é a que temos. Meu medo é com a chegada dos meses mais quente e esse problema não ser resolvido’, desabafa Maria, preocupada como mãe em dia de temporal.
Quando o prazo vence e a esperança não
Do outro lado da cerca, a RGE diz que a bola saiu pela linha de fundo: estava aguardando os orçamentos após enviar carta pendência, mas como nada chegou a tempo, o processo foi para o bolicho. ‘O caso na primeira instância não vai ser mais possível’, explicou a concessionária, informando que o prazo expirou mais rápido que cavalo em cancha reta. O diretor da Defesa Civil, Adão Roberto, baixou a orelha: ‘Fizemos o trâmite inicial da documentação e o processo não foi cumprido. Existem normas e não foram cumpridas, infelizmente’. Mas a esperança é a última que desencilha! A Defesa Civil já está articulando com a Defensoria Pública para resolver o caso mais ligeiro que potro em disparada. E não é que a natureza ainda testou a resistência dessa gente? ‘Com o último temporal, quase perdemos a caixa que está vazia. O vento balançou ela e graças a Deus tínhamos amarrado os lados’, conta Maria Kaplan, mais resistente que guapo em rodeio.
Enquanto a peleia burocrática segue seu tranco, o Jacaraí mostra a força da gente do interior de Alegrete – amarrando caixas vazias contra o vento e buscando água em cacimbas para seguir a lida. Mas a história ensina: quando a água falta, não é só a sede que aperta, é a dignidade que fica em jogo. E nosso povo merece respeito mais do que promessas que secam antes da chuva chegar.
Compartilha esse causo com aquele amigo que reclama quando falta água por uma horinha na cidade! A gurizada do interior tá há cinco meses improvisando com água de cacimba!









