Encruzilhada dos guris e prendas
Buenas, vivente! Cá na nossa querência de Alegrete, tem um assunto que ferve mais que água de chimarrão em roda de conversa: o destino da gurizada. Nas cozinhas das famílias, nos pátios das escolas e nas rodas de mate, o causo é sempre o mesmo – será que o futuro dos nossos jovens está plantado aqui mesmo no Baita Chão ou será que precisa brotar em outras terras? A dúvida cavalga solta por aí, mais inquieta que potro em dia de doma. De um lado, a promessa de qualidade de vida e desenvolvimento sem sair do pago; do outro, o chamado de horizontes largos como os campos da fronteira.
Vozes do pago: ficar ou se bandear?
A prenda Maria Eduarda Silveira, uma guria de 22 janeiros que estuda Administração, defende seu rincão com a garra de quem protege o último gole do mate: ‘Ficar em Alegrete significa poder crescer perto da família e da nossa cultura, sem abrir mão de oportunidades. Aqui tem espaço para quem sabe aproveitar’. Já do outro lado da querência, o alegretense Lucas Dornelles, um guri de 25 anos mais conectado que WiFi de CTG, conta sua história com um suspiro que parece vento minuano: ‘Eu amo Alegrete, mas para crescer na minha área precisei sair. Não encontrei aqui as oportunidades que Porto Alegre me ofereceu’. O rapaz, formado em Engenharia de Software, se bandeou para a capital, mas carrega o pago no peito, como quem leva um pedaço do campo na bombacha.
A lida entre raízes e asas
A juventude de Alegrete vive num entrevero mais complicado que laço em dia de vento: de um lado, as raízes culturais e familiares, firmes como tronco de umbu centenário, convidando a ficar; do outro, a vontade de conquistar novos espaços, que puxa mais forte que boi de carreta. E não é só o destino dos guris e prendas que está em jogo, mas o futuro do próprio Alegrete. Se os talentos mais jovens ficam, podem transformar nosso pago como chuva boa em campo seco; se partem, levam um pedaço de Alegrete pro mundo, mas deixam vazios mais fundos que coxilha em tempo de seca. Como dizem os antigos da fronteira: ‘planta que não se espalha também não se multiplica, mas jardim sem jardineiro vira campo abandonado’.
No fim das contas, Alegrete segue como uma mãe que prepara os filhos tanto para ficarem quanto para partirem. A nossa cidade não precisa ser ponto final nem ponto de partida – pode ser o porto seguro que sempre recebe de volta aqueles que um dia se foram. O futuro da juventude alegretense talvez não esteja no ‘ficar versus partir’, mas no equilíbrio entre levar Alegrete no coração e trazer o mundo para dentro do nosso rincão.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que não sabe se fica ou se vai embora de Alegrete! E aí, tchê, tu é do tipo que planta raiz ou que espalha sementes?
Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/juventude-de-alegrete-o-futuro-dos-jovens-esta-aqui-ou-fora/









