Buenas, tchê! Semana que mexe com as raízes do nosso pago
Mas bah, tchê! A Semana da Consciência Negra chegou em Alegrete mais forte que cusco em dia de carneada! Desde o dia 13, a cidade tá fervilhando mais que chaleira em fogo alto com uma agenda mais recheada que bombacha de gaúcho festeiro. Debates, palestras e exposições estão mostrando pra gurizada daqui o valor inegável do legado negro na nossa querência. E olha, isso vai longe: a programação vai trotear pela cidade até o dia 28 de novembro, com o apoio da Prefeitura, Câmara de Vereadores e os grupos que mantêm acesa a chama da cultura negra em nosso território.
Lanceiros Negros: a história que o vento minuano tentou levar
Na última sexta-feira, dia 14, o professor Doutor Márcio Sônego, do IFFar, trouxe uma prosa mais importante que gole d’água em travessia de deserto. Falou dos Lanceiros Negros, aqueles guerreiros mais valentes que potro xucro e mais leais que cavalo de estimação. A gurizada das escolas e os grupos envolvidos na Semana ficaram mais atentos que capataz em dia de marcação. E não era pra menos: esses homens, negros escravizados e libertos, lutaram com a garra de quem sonha com liberdade na Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845. Formaram um corpo de cavalaria mais temido que trovão em campo aberto, sempre na linha de frente, sempre no entrevero mais feio.
A traição que mancha nossa história campeira
Mas o causo, vivente, tem um final mais triste que galpão abandonado. Aqueles homens que galoparam por nossa liberdade receberam uma promessa mais falsa que nota de três reais: lutariam e ganhariam suas cartas de alforria. O que aconteceu depois virou uma nódoa na nossa história: o Massacre de Porongos, onde os Lanceiros foram traídos e sacrificados pelas forças imperiais, sem que a tal liberdade chegasse a todos. Como diz o dito antigo por estas bandas: ‘Promessa feita ao negro só vale até o sol raiar’. Uma injustiça mais doída que espinho de maricá na sola do pé descalço, e que precisamos lembrar pra não repetir.
Essa Semana da Consciência Negra de Alegrete não é só evento, é um grito de reconhecimento mais necessário que chuva em tempo de seca. Quando conhecemos a história dos Lanceiros Negros, entendemos que nossa identidade gaúcha tem sangue negro correndo nas veias, tem suor negro na construção, tem dor negra nas cicatrizes. Para nossa comunidade alegretense, honrar este passado não é opção – é dever de quem tem orgulho da sua terra. Afinal, um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la, e nessa história aí, vivente, tem partes que não merecem bis.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que se orgulha das tradições gaúchas mas nunca ouviu falar dos Lanceiros Negros! A história completa só é nossa quando conhecemos todos os seus capítulos!









