Uma prenda iluminando o caminho das letras
Buenas, vivente! Mais emocionada que guri em dia de rodeio, a patrona Eliana Rigol, filha legítima deste pago, cruzou um corredor de bailarinas da Escola Ballerina com o lampião do conhecimento nas mãos – uma cena mais linda que entardecer na Fronteira Oeste. De olhos marejados como banhado depois da chuva, nossa conterrânea subiu ao palco para abrir oficialmente a 44ª Feira do Livro de Alegrete, carregando não só o lampião, mas também todo o orgulho de quem leva nosso rincão no peito por onde tropeá pelo mundo.
Do bercinho alegretense para as feiras do mundo
A guria que um dia fez sua primeira viagem pelos livros, hoje é bagual nas letras e campeia pelo mundo afora. De Genebra a Barcelona, a prenda alegretense leva nossas cores e histórias, mas fez questão de dizer que nenhum lugar tem o gosto especial do seu torrão natal. ‘Foi a primeira pessoa que me recebeu neste mundo’, disse ela sobre o homenageado Dr. Nelson Carús, num encontro de destinos mais certeiro que laçada de campeão. E não é que a matemática do destino também fez sua parte? Nos seus 44 anos de vida, Eliana se torna patrona justamente da 44ª edição da feira – coincidência mais bonita que amanhecer na campanha!
O recado que vale mais que ouro de garimpo
Mas tchê, o momento que deixou a plateia mais atenta que cusco cuidando porteira foi quando a patrona largou seu recado, franco como bom gaudério: ‘Valorizem a literatura, que registra a memória. Criem novos leitores: a vida é cultura. Cuidem das crianças. Incentivem-nas a ler’, disparou com a firmeza de quem sabe o valor das palavras. Na frente de uma invernada de gente – entre autoridades de bombacha e gravata, militares e o povão que faz a história da cidade – ficou claro que a Feira do Livro de Alegrete reluz entre as melhores do Estado, como estrela de primeira grandeza no céu gaúcho.
A Feira que se abre homenageando os 120 anos do nascimento de Érico Veríssimo, um dos maiores escritores da nossa tradição, mostra que Alegrete não é terra do ‘já teve’, como bem bradou o secretário Rodrigo Guterres, mas do ‘tem e seguirá tendo’. Com mais de R$ 1,2 milhão investidos em eventos culturais em menos de 30 dias, nossa querência segue firme, provando que aqui a cultura é tratada com o mesmo respeito que dedicamos ao churrasco de domingo: coisa séria, bem feita e que reúne a família toda. A literatura segue acesa em nosso pago, como o lampião que a patrona carregou, iluminando os caminhos de quem ainda vai contar as histórias de amanhã.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que vive dizendo que livro é coisa do passado! A prosa tá boa e o convite tá feito: vamos todos pra Feira do Livro mostrar que em Alegrete, a cultura galopeia forte!









