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Os TESOUROS DE PELO do nosso pago: Descubra as PELAGENS dos cavalos crioulos que são a ALMA do Rio Grande

Buenas, tchê! Do gateado ao bragado, conheça as cores que pintam os campos da nossa querência e fazem parte da tradição gaúcha como o mate amargo nas manhãs de geada





A tropa colorida que domina nossos pagos

Mas bah, tchê! Falar das pelagens dos cavalos é como tentar contar estrelas no céu da campanha numa noite sem lua – são muitas e cada uma tem seu brilho próprio! A resposta sobre quantas existem não é mais simples que achar agulha em palheiro. No Mangalarga Marchador, os viventes da Associação Brasileira dos Criadores reconhecem 56 variações diferentes, mas aqui na querência, onde o Cavalo Crioulo reina mais firme que esteio de galpão, a ABCCC prefere dizer que há uma ‘infinidade de pelagens’. O grande Emilio Solanet, um bagual nos estudos da raça desde os primórdios do século XX, chegou a listar mais de 100 tipos diferentes! É mais variedade que cuia de chimarrão em roda de domingo!

De gateados a bragados: o arco-íris que galopa nos campos

Nas planícies do nosso Rio Grande, desfilam pelos campos cavalos de cores que fariam até o entardecer na Lagoa dos Patos ficar com inveja. O padrão oficial do Crioulo reconhece como comuns as pelagens baia, bragada (ou tigrada para os mais antigos), colorada, gateada, lobuna, moura, oveira, pangaré, picaça, preta, rosilha, tobiana, tordilha, tostada e zaina. Mas nem tudo que reluz é ouro! Há restrições, guri: pelagens ‘pintadas’ do gene Leopardo (que lembram aqueles Appaloosa) e o albino total são barrados no baile, não entram no registro. É como tentar entrar de bombacha rasgada num fandango de gala – não passa pela porteira!

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A cor da vitória tem nome e sobrenome

Quem acompanha as lidas campeiras sabe que cada tempo tem seu rei. No Freio de Ouro de 2019, os colorados chegaram mais ligeiro que vento minuano, dominando 27% dos finalistas. Logo atrás, mais colados que carrapato em bezerro, vieram os gateados (19%) e os zainos (16%). Já nas provas morfológicas do mesmo ano, os colorados mostraram mais força ainda, chegando a 37% – quase tomaram conta da festa! Mas a história é mais comprida que estrada de campanha. Estudos da Universidade Federal de Pelotas, olhando quase 70 anos de registros, mostram que o gateado historicamente é o mais comum (29,5%), seguido pelo rosilha, colorado e tordilha. É como dizem os campeiros antigos: ‘Em pista, colorados e zainos chamam a atenção, mas quando o gaúcho fecha os olhos e pensa num Crioulo, é um gateado que aparece na memória’. Cada pelagem tem seu tempo de rodeio!

As cores dos nossos cavalos contam histórias mais antigas que as primeiras rodas de carreta que cruzaram estas coxilhas. Da pelagem gateada que talvez servisse de camuflagem nos campos abertos à raríssima bragada com suas listras que parecem desenhadas a dedo, cada uma carrega um pedaço da nossa identidade. E por mais que algumas sejam mais raras que chuva em janeiro, o que define mesmo um bom cavalo crioulo são seu pedigree, seus títulos em pista, sua funcionalidade e fertilidade. A cor pode até atrair os olhos, mas são as qualidades que enchem os bolsos nos leilões. Afinal, como diria qualquer velho campeiro sentado à beira do fogo: ‘Cavalo bom não tem pelo ruim, tem coração grande’.

Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que não se cansa de admirar um belo cavalo crioulo em pelo de inverno! E se ele disser que conhece todas as pelagens, desafia o vivente a nomear as 56 sem consultar!

Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/tradicao-pelagens-de-cavalo-quantas-existem-origens-e-curiosidades-e-quais-predominam-no-rs/


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