O caminho das almas na prosa dos homens de fé
Buenas, vivente! Chegou aquela data em que o pago inteiro parece voltado pras coisas que vão além do que os olhos enxergam. É como aquela geada fina que baixa nos campos na madrugada – vem silenciosa e deixa tudo coberto de reflexão. No entardecer das almas, o Dia de Finados traz consigo mais significado que potreiro em dia de marcação.
Pra entender como a querência alegretense lida com seus mortos, batemos nas porteiras de diferentes crenças. O Padre Irineu Machado, da Paróquia Nossa Senhora Conquistadora, mais firme que esteio de galpão, explica que pra nós, católicos, esse dia é de preces e homenagens. ‘Até quando o senhor Jesus virá em sua glória, e, destruída a morte, ser-lhe-ão submetidas todas as coisas’, conta ele, enquanto o vento minuano parece carregar suas palavras pelos quatro cantos do Alegrete.
De rodeio em rodeio, cada tropilha tem seu jeito de trotear
Mas bah, tchê! Se pros católicos a data é de visitar cemitérios com flores na mão e rezas no coração, pros evangélicos a história muda mais que tempo de primavera. O Bispo Ênio Bastos, gaudério de fala mansa e fé inabalável, garante: ‘O nosso foco está na celebração da vida eterna prometida por Jesus Cristo, e não na oração pelos mortos’.
Enquanto os católicos têm dia marcado no calendário como reunião de marcação, os evangélicos não têm data fixa pra esse tipo de lembrança. É que nem rodeio sem data certa – acontece quando o coração manda. A prática de visitar túmulos também não é comum entre eles, assim como peão da cidade raramente visita mangueira em dia comum.
Já do outro lado da querência, a prenda Rosane Vilaverde, mais conhecedora do assunto que capataz antigo, traz a visão dos espíritas. Pra eles, o finado não é finado coisa nenhuma! É como aquele potro que só mudou de invernada, mas continua galopando em outros campos. ‘A morte é apenas uma transição, uma passagem para nossa verdadeira morada’, ensina ela, com a sabedoria de quem já conversou com muitos que fizeram essa travessia.
Na encruzilhada das crenças, o respeito que une o pago
E nas terras de Oxum, onde tambores conversam com o outro mundo? O Babalorixá Pablo, da Nação Ijexá/jeê, mais respeitado que patriarca em roda de chimarrão, explica que pros seguidores das religiões de matriz africana, o Dia de Finados é momento de celebrar os ancestrais. ‘A morte é entendida como uma passagem para o Orun (o céu), onde os ancestrais se juntam aos orixás’, conta ele com a serenidade de quem compreende os mistérios do além.
Aqui o luto não vem carregado de preto como poncho em noite fria, mas sim de celebração colorida da continuidade espiritual. ‘Ao invés de tristeza, o foco está em celebrar a continuidade da vida espiritual’, diz Pablo, mostrando que pra sua fé, a morte é só mais um passo na lida eterna da alma.
As diferenças entre as crenças são como as cores do céu no entardecer pampeano – diferentes, mas todas parte da mesma beleza. Enquanto uns rezam missas, outros fazem preces em casa, e alguns entoam cantos aos orixás – cada um buscando, ao seu modo, honrar aqueles que já galoparam pra outras invernadas.
No final das contas, o que se vê em Alegrete é um pago onde o respeito pelos que já partiram tem sotaque e jeito próprios. De igreja em igreja, de centro espírita em terreiro, o que não muda é o carinho com que o alegretense lembra de seus entes queridos. Como dizem os mais antigos por estas bandas: ‘A morte é só uma porteira que todos um dia vamos cruzar’. E enquanto esse dia não chega, seguimos tocando a vida, cultivando as memórias dos que já foram, cada um à sua maneira, mas todos unidos pelo mesmo sentimento que dá liga à nossa querência: o respeito pelos caminhos que cada um escolhe pra lidar com as despedidas.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que sempre tem uma história pra contar sobre como sua família honra os que já partiram! A tradição só se mantém quando é passada adiante, como mate em roda de galpão!
Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/o-dia-de-finados-na-visao-de-religioes-em-alegrete/









