Quando a memória gaúcha troteou pela cidade
Buenas, vivente! Quem disse que a tradição tá se perdendo é porque não viu o que aconteceu em Alegrete no 20 de setembro. Mas bah, tchê! O desfile trouxe de volta um espetáculo mais raro que água no deserto: cinco tropilhas de pelo, reunindo 105 cavalos do piquete Tradição do Lageadinho e Tradição Azul, desfilaram pelas ruas da cidade, mostrando que a cultura campeira segue mais viva que brasa em fogo de chão. A maioria destes bagual nunca tinha pisado no asfalto da cidade, mas comportados como prenda em primeiro baile, acompanharam seus tropeiros experientes num desfile que deixou o povo de queixo caído.
A égua madrinha e seu batalhão de quatro patas
Quem conhece o mundo da campanha sabe que tropilha não é apenas um bando de cavalo junto. É um sistema mais organizado que formigueiro, onde cada pelo tem seu lugar. No desfile, os alegretenses puderam ver cinco dessas maravilhas nas pelagens tubiana, preta, tostada, baia e tordilha – cada uma mais linda que entardecer na campanha. O que deixou a gurizada boquiaberta foi ver aquela égua madrinha na frente, com seu cincerro tilintando como sineta de igreja, guiando os outros cavalos que a seguiam mais obedientes que guri após puxão de orelha da mãe. É uma liderança natural, como explica o Médico Veterinário Fernando Broda, administrador das Fazendas Glorias e Santa Regina, de onde vieram os animais: ‘As tropilhas andam juntas e têm características comuns como se fossem um grupo social’. Cada tropilha reúne entre 25 e 30 cavalos, todos da mesma pelagem, criados e treinados para o trabalho nas lidas campeiras.
Quando o passado galopou pela Rua das Tropas
E não é que o destino tem suas graças? As tropilhas desfilaram justamente pela Avenida Eurípedes Brasil Milano, o antigo caminho conhecido como ‘Rua das Tropas’, por onde no passado passavam boiadas, ovelhas e cavalos em grandes tropas conduzidas a pé. Foi como ver a história voltar a galopar, mais viva que gaiteiro em baile de CTG! O trabalho para manter essas tropilhas é coisa séria. Todo fim de semana, lá nas fazendas, os animais são separados, entram em forma e depois são tosados, casqueados e adelgaçados para encararem a lida campeira nas segundas-feiras. Esse revezamento garante que nenhum animal canse demais nas extensas áreas das estâncias da região. Como disse o pessoal do Tradição Azul, que trouxe os animais em caminhões para o desfile: ‘Essa foi a nossa parcela para manter viva a cultura gaúcha’. E que parcela barbaridade, tchê!
Essas tropilhas de pelo não são apenas um espetáculo para os olhos, mas um pedaço vivo da nossa história que resiste ao tempo como marco inconfundível da identidade do homem campeiro. Em tempos de modernidade a galope, ver 105 cavalos desfilando organizados por pelagens pelas ruas de Alegrete é mais que tradição – é resistência cultural em forma de beleza. A comunidade alegretense recebeu este presente com o coração cheio de orgulho, relembrando que nossa terra foi forjada no lombo desses animais que, junto de seus tropeiros, construíram a história da fronteira oeste gaúcha.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que vive dizendo que as tradições estão se perdendo – pra mostrar que a alma campeira segue mais forte que palanque de galpão!









