Da dor nasceu o dom mais campeiro
Buenas, vivente! Aqui nas terras alegretenses, tem gente que escreve mais por necessidade que por vaidade, é o caso da nossa prenda Betânia. Mas bah, tchê! A guria começou a rabiscar versos aos oito anos, quando a saudade do pai, que havia cruzado os campos do céu dois anos antes, apertou mais que rédea em mão de domador. ‘Comecei a escrever aos oito anos. Sentia muita saudade do meu pai, que havia falecido dois anos antes’, recorda a escritora. Desse sentimento brotou seu primeiro poema e, logo depois, a primeira melodia: Canção da Saudade – mais sincera que cusco recebendo dono depois de longa viagem. A mãe, atenta como égua cuidando do potrilho, presenteou a pequena com um diário e um gravador, colocados estrategicamente ao lado da cama, pra capturar as ideias que vinham galopando durante a noite.
Entre as palavras e a fronteira, um talento sem porteira
A gurizada cresceu como planta em terra fértil, entre palavras e melodias, mais inspirada que gaiteiro em noite de fandango. ‘Muitas vezes eu acordava cantarolando uma melodia nova e alguns versos no pensamento’, conta Betânia, que fez do ofício de letróloga, escritora e compositora uma missão mais importante que tropeada em dia de marcação. Hoje, ela cavalga pelos campos da inclusão com a mesma garra de antigamente, transformando sentimentos em versos que alcançam todo tipo de vivente. A prenda faz literatura inclusiva de verdade, tchê! Cada obra sua traz um QR Code que leva à contação da história em Libras, parceria com a intérprete Josie Pillar. ‘Acho fundamental que um livro que fala de inclusão, seja inclusivo’, diz a escritora, mais certa que boleadeira em mão de campeiro experiente.
Reconhecimento no pago que a viu brotar
Agora, a nossa prenda recebe uma homenagem mais merecida que descanso após lida campeira: é a escritora homenageada da 44ª Feira do Livro de Alegrete. Para quem cresceu entre os horizontes da fronteira oeste, esse reconhecimento é como um mate amargo em manhã fria – aquece a alma e revigora o espírito. ‘Ver o seu trabalho reconhecido é maravilhoso. Mas ver o seu trabalho reconhecido na sua terra e pelos seus conterrâneos é inexplicável’, confessa, com os olhos mais brilhantes que estrelas em céu de inverno. Entre citações bíblicas e melodias guardadas no coração, Betânia carrega o versículo de Isaías 55:9 como quem leva um lenço no pescoço, sempre à mão para os momentos precisos. ‘Deus é maravilhoso e é um Deus que traz grandes surpresas aos nossos corações’, completa com a serenidade de quem confia no caminho, mesmo quando a estrada parece mais confusa que labirinto em dia de cerração.
A escrita de Betânia é como um chimarrão bem preparado: aquece, conforta e reúne gente ao redor. Quando uma guriazinha de oito anos gravou sua primeira saudade num gravador, Alegrete não sabia que estava testemunhando o nascer de uma voz que faria da palavra um abraço universal. Hoje, cada livro, cada verso, cada melodia da nossa prenda homenageada é um pedacinho da alma fronteiriça transformada em arte que não conhece barreiras – nem mesmo as do silêncio. É desses talentos que nossa querência se orgulha: os que fazem da dor, esperança; e do talento, inclusão.
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