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A PRENDA DO CAMPO: Conheça Loivana, a GUERREIRA que transformou um pedaço de terra em vida DIGNA na campanha alegretense

Há 17 anos enfrentando sol e chuva no Assentamento Novo Alegrete, essa bagual mostra que mulher da fronteira tem força de sobra pra lidar com a terra e ainda sonhar com um trator





Da lona preta ao lar campeiro

Buenas, vivente! Pra quem acha que vida na campanha é só chimarrão e descanso, precisa conhecer a história da Loivana Gassner. Mais determinada que cusco defendendo terreiro, essa prenda de 28 anos deixou Rodeio Bonito e, em 2008, trouxe a família inteira – marido e duas filhas – pra encarar a peleia de um acampamento do Movimento Sem Terra em Nova Santa Rita. ‘Ficamos acampados no barraco de lona preta por dois anos. Nesse período realizamos muitas lutas por direitos e, principalmente, o de ter a terra para plantar e produzir’, conta ela, com aquele brilho nos olhos de quem sabe o valor de cada conquista. Foi assim que, no finalzinho de 2008, desembarcou na nossa querência de Alegrete, a 48 quilômetros do centro, pra começar uma jornada que mistura suor, esperança e aquela garra típica de mulher gaúcha.

A lida diária: onde o sol nasce primeiro

Mas bah, tchê! A rotina dessa guerreira é mais agitada que CTG em dia de fandango! O sol nem bem desponta no horizonte e lá está ela, de pé firme como cepa de guaxaim, tratando porcos, galinhas e ovelhas. Depois é hora de pegar a enxada – sim, ENXADA mesmo, que trator por lá ainda é sonho distante – e partir pra capina e plantio. Com as próprias mãos, Loivana cultiva 43 espécies de frutas e uma variedade de produtos como mandioca, batata e abóbora. ‘Trabalho um pouco por fora para ter uma renda, pois as contas básicas chegam todos os meses. Invisto na terra produzindo alimentação saudável’, explica ela, que em 2024 conseguiu fazer uma entrega de peso pro Banco de Alimentos de Alegrete. Mas a vida no campo não dá trégua: sem transporte adequado, parte da produção corre risco de se perder na lavoura. Além de toda lida na roça, a prenda ainda encontra tempo pra exercer o ofício de massoterapeuta e produzir artesanato. É o que se diz por essas bandas: mulher da campanha não tem tempo ruim!

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Da terra aos sonhos: a batalha por espaço e reconhecimento

Mais teimosa que boi de guampa torta, Loivana não parou nas primeiras conquistas. Após os dois anos iniciais debaixo da lona preta, conseguiu erguer uma peça de madeira para os quartos. Com incentivo do governo federal, comprou sua primeira vaca leiteira e, tempos depois, realizou o sonho da casa própria pelo Minha Casa Minha Vida. Hoje, ao lado do esposo Sérgio Mello Rodrigues, das filhas Jennifer e Thalia, e das três netinhas nascidas em Alegrete – Natasha, Scheila e Sophia – ela se reinventa a cada amanhecer. Como se não bastasse dar conta do rancho, Loivana ainda se aventurou na política: ‘Foi uma honra ser candidata a vereadora. Não ganhei a eleição, porém aprendi muito com toda população de Alegrete e todos os votos que recebi, foram 288 pessoas que levo no coração por acreditarem que podemos fazer diferença na sociedade e na Câmara de vereadores também. Por mais Mulheres nos espaços de poder. Foi maravilhoso, eu me senti vitoriosa na caminhada com o carinho de todas e todos’, resume com aquele orgulho de quem sabe que a derrota de hoje é semente pra vitória de amanhã.

A história de Loivana é retrato vivo do que acontece nos assentamentos do nosso Alegrete e de todo Rio Grande: mulheres carregando nas costas a dupla jornada, cuidando da casa, da família e ainda botando a mão na massa nas lidas do campo. São elas que garantem o pão na mesa, mesmo tendo menos reconhecimento que os homens. Mas como diz o ditado campeiro: ‘Quem é de fibra não se dobra ao primeiro vento minuano’. E assim segue nossa protagonista, encarando os desafios do Assentamento Novo Alegrete, onde 109 famílias ainda lutam por direitos básicos como água nas torneiras. Entre uma capina e outra, entre o cuidado com os bichos e a produção de alimentos saudáveis, Loivana representa a resistência e a força da mulher rural que, mesmo enfrentando a desigualdade, não desiste de sonhar – seja com um simples trator para facilitar o trabalho na terra, seja com uma sociedade onde as prendas tenham o mesmo espaço e valor que os peões.

Compartilha essa história com aquela amiga guerreira que, assim como Loivana, enfrenta o dobro de peleia e segue de cabeça erguida!

Fonte: https://www.alegretetudo.com.br/loivana-a-destemida-mulher-que-mora-ha-17-anos-em-um-assentamento-de-alegrete/


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