A madrugada que virou entrevero
Buenas, vivente! O domingo (21 de setembro) amanheceu mais revirado que bombacha em dia de rodeio depois que um vendaval brabo, daqueles de fazer cusco se esconder embaixo da cama, desabou sobre nosso Alegrete na calada da noite. A chuvarada não veio sozinha, trouxe consigo ventania capaz de arrancar telha e derrubar árvores mais antigas que causo de velho. Os 88 mm que caíram em 24 horas fizeram o velho Ibirapuitã subir até a cota de alerta, chegando aos 7,6 metros, mostrando que o rio também quis participar do entrevero.
De Santo a Capão, ninguém escapou da tormenta
O temporal não escolheu freguesia e saiu distribuindo estragos como carta em jogo de truco. Os bairros Saint Pastous, Dr. Romário, Palma, Jardim Planalto e Capão do Angico foram os que mais sentiram o peso da água e do vento. Até a Escola Waldemar Borges, coitada, ficou mais machucada que joelho de guri bagunceiro, com danos na sua estrutura.
Na Avenida Eurípedes Brasil Milano, os Bombeiros tiveram que acudir carros que ficaram presos embaixo de árvores caídas. ‘Mais um palmo e o carro virava palanque com teto de folhas’, comentou um morador que viu a cena. E lá na Cidade Alta, uma palmeira decidiu que era hora de se deitar na rua Barros Cassal, sem pedir licença pra ninguém.
O pago unido contra a fúria da natureza
A ponte da região do 28 teve que baixar as orelhas e fechar as porteiras, com a Secretaria de Agricultura mais ligeira que potro em disparada para garantir que ninguém se arriscasse na travessia. O Rio Ibirapuitã, esse velho companheiro do povo alegretense, mostrou que também tem seus dias de brabeza ao atingir os 7,6 metros.
A Prefeitura e a Defesa Civil botaram o pé na estrada, com equipes mais atarefadas que formigueiro em dia de festa, trabalhando para desobstruir vias, verificar estruturas e dar uma mão amiga para as famílias que ficaram no meio do tiroteio da natureza. Os gaudérios que precisarem de um abrigo ou uma lona para tapar o teto podem procurar o CRAS mais próximo ou ligar para a Defesa Civil no 99158-9544.
Assim como depois da tormenta vem a bonança, os alegretenses já começam a arregaçar as mangas para reconstruir o que o vendaval levou. Nossa gente é como o umbu do pampa: pode vergar com o vento, mas não quebra jamais. Essa é mais uma prova de que quando a natureza mostra sua força, a força da união do povo alegretense se mostra ainda maior. Enquanto o rio volta pro seu lugar e as telhas retornam pros telhados, a vida segue seu curso nesse pedaço de chão que chamamos de nosso.
Compartilha esse causo com aquele amigo gaudério que sempre diz que ‘vento forte é só lá na Campanha’! E marca o vivente que teve que sair correndo pra salvar a roupa do varal!









